Lição 4 : 1880 – 1910

ii. Provas de papel directo

A produção dos papéis de impressão também progrediu e integrou a produção industrial.

Em termos latos, designa-se de papel directo todo o processo de impressão em prata, em que a imagem se forma através da acção da luz solar (exclusivamente), sem passar pelo processo da revelação. Encontram-se papéis directos de albumina, gelatina, colódio e outros. O papel podia sofrer uma viragem a ouro, antes da fixação e lavagem.

 

Os papéis fotográficos de gelatina e colódio, com emulsão de cloreto de prata, de brometo de prata ou de cloro-brometo de prata foram introduzidos pelos 1880s, sendo os papéis mais procurados até cerca dos anos 1910s, quando começa o seu declínio no mercado. Estes papéis tinham melhor qualidade e estabilidade que os papéis de albumina:

♦ Eram papéis de emulsão, sensíveis à luz desde que eram fabricados;

♦ Eram mais práticos de usar;

♦ O seu comportamento era mais estável de caixa para caixa;

♦ A mecanização do processo de produção permitia aplicar uma camada uniforme de emulsão sobre o papel;

♦ O papel de albumina amarelece – algo que não sucede com tanta facilidade no papel de gelatina ou de colódio.

 

Tido que estes papéis eram, ainda, comercializados a um preço inferior, acabavam por ser em praticamente tudo mais apelativos ao fotógrafo.

Uma outra inovação muito importante foi o início da aplicação de um revestimento com barita (1894). A barita é um substracto de sulfato de bário e gelatina, que era empregue previamente à emulsão. Trata-se de uma matéria opaca, branca, que alisa a superfície do papel e permite criar um acabamento brilhante, mate ou texturado. De acordo com o número de camadas de barita, as fibras do papel podem ficar totalmente ocultadas, criando um efeito muito mais uniforme.

 

O mercado dos papéis tornou-se cada vez mais diverso, e, entre 1880 e 1910, apresentam-se papéis para servir diferentes preferências, com uma grande variedade de superfícies (texturadas, com ou sem brilho, e até coradas a rosa ou azul). Eram produzidos papéis para impressão directa, assim como papéis para revelação.

 

A título de curiosidade, podemos deixar aqui algumas designações comerciais dos papéis directos de gelatina e colódio:

♦ Papéis de Celoidine,

♦ Papéis de Citrato,

♦ Aristótipos (designa o papel de gelatina na Europa e o de colódio nos EUA),

♦ Studio Proof (designação da Kodak para o papel directo de gelatina, produzido até 1987).

 Página História da Fotografia

Aristótipo. Montra de loja, na Avenue des Gobelins (1925), Eugène Atget.

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Eug%C3%A8ne_Atget_-_Magasin,_Avenue_des_Gobelins_-_Google_Art_Project.jpg

Em termos gerais, estes papéis eram referidos como POP (Printing-Out-Paper, ou seja: quando a imagem é formada por acção da luz) eDOP (Developing-Out-Paper, ou papel de revelação). Estas abreviaturas foram utilizadas pela primeira vez em 1891, pela Ilford, empresa britânica de produção de material fotográfico, fundada em 1879, por Alfred Hugh Harman.

 

Entre os papéis produzidos industrialmente, podemos ainda referir o papel de colódio mate com viragem a ouro e platina. Este foi fabricado no final do século XIX e era utilizado como papel de retrato em estúdio (principalmente entre os anos de 1895 e 1905). Fazemos aqui menção a este papel por duas razões essenciais: foi largamente utilizado pelos fotógrafos, sendo, por isso, bastante encontrado em colecções de fotografia; e produzia uma imagem de exímia qualidade.

O papel de colódio mate com viragem a ouro e platina é caracterizado pela sua cor neutra, magnífico detalhe nas zonas claras, negros profundos e tons ricos. A superfície da prova não apresenta brilho, devido à aplicação de uma camada de barita de espessura muito reduzida que anula as irregularidades do papel. A cor é neutra, resultado da dupla viragem (primeiro a ouro, depois a platina). Este processo foi inspirado no papel de platina, numa tentativa de encontrar um processo mais económico que imitasse os mesmos resultados daquele.

De notar: algumas provas não passavam pela viragem, resultando numa imagem castanho-avermelhada; outras eram apenas viradas a ouro, originando uma imagem de cor púrpura.

Esta prova revelava-se muito estável, não sofrendo desvanecimento, nem amarelecimento, e encontram-se, ainda hoje, um século volvido, fotografias com um estado de conservação soberbo.

 

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