Dia da Mulher – 8 de março. Conheça a sua origem nos movimentos socialistas e sufragistas do sec. XIX e XX

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“igualdade de género hoje para um amanhã sustentável” é o mote das Nações Unidas para o Dia da Mulher 2022 lembrando o contributo das mulheres no combate à pandemia e na luta pelo Clima.

Origem do Dia da Mulher

O Dia Internacional da Mulher foi instituído apenas em 1975 pela Organização das Nações Unidas (ONU), tendo como objetivo lembrar as lutas das mulheres pelas conquistas sociais, políticas e económicas.

Mas a ideia começou muito antes, no final do século XIX e início do século XX, nos Estados Unidos e na Europa.

As primeiras manifestações pelos direitos das mulheres tiveram origem no movimento socialista, que procurava a igualdade de direitos económicos, sociais e de trabalho, e no movimento sufragista, que lutava por igualdade de direitos políticos, nomeadamente o direito ao voto.

A criação de um Dia Internacional da Mulher foi proposto em 1910 pela líder socialista alemã Clara Zetkin durante a Segunda Conferência Internacional das Mulheres Socialistas, em Copenhaga, mas sem uma data específica definida.

Dia da mulher Copenhague, 1910. VIII Congresso da Internacional Socialista na frente, Alexandra Kollontai e Clara Zetkin.

Copenhague, 1910. VIII Congresso da Internacional Socialista na frente, Alexandra Kollontai e Clara Zetkin.

 

A origem da data

Não existe concordância absoluta sobre a origem da data, 8 de março, pois foram diversas as manifestações e lutas pelos direitos das mulheres no início do sec. XIX.

 Em 1908 “as mulheres socialistas do Lower East Side, em Nova York, organizaram uma manifestação de massa em apoio ao sufrágio igualitário, cujo aniversário (do Dia da Mulher) seria comemorado“.

O objetivo destas manifestações era o direito das mulheres ao voto nos Estados Unidos.

 A 25 de março de 1911, um incêndio numa fábrica nos Estados Unidos matou 146 trabalhadores: 125 mulheres e 21 homens. A fábrica empregava 600 pessoas, na sua maioria mulheres imigrantes judias e italianas, com idade entre 13 e 23 anos.

Este não foi o primeiro incêndio trágico em fábricas nos Estados Unidos e uma das consequências da tragédia foi o fortalecimento do Sindicato Internacional de Trabalhadores na Confeção de Roupas de Senhoras.

A partir de 1909 em diferentes dias de fevereiro e março, começaram a ocorrer nos Estados Unidos e Europa manifestações pela luta pela igualdade das mulheres.

Pode-se afirmar que todas elas deram origem à celebração do Dia da Mulher enquanto homenagem a todos os que lutaram e deram a vida pelos direitos das mulheres.

Tanto ligadas diretamente ao movimento sufragista como às lutas pelos direitos laborais e condições de trabalho.

As manifestações de mulheres na Rússia e a Revolução

No início de 1917, na Rússia, ocorreram manifestações de trabalhadoras por melhores condições de vida e de trabalho e contra a entrada na 1ª guerra mundial.

Dia da mulher Manifestações na Rússia em 1917

Manifestações na Rússia em 1917

 

Os protestos foram brutalmente reprimidos. A data da principal manifestação, 8 de março de 1917, foi instituída como Dia Internacional da Mulher pelo movimento internacional socialista.

Este movimento foi decisivo para a 1ª revolução de 1917 que derrubou o Czar Nicolau II.

O movimento sufragista

O movimento sufragista foi um movimento que teve como objetivo estender o sufrágio (o direito de votar) às mulheres.

O primeiro país a garantir o sufrágio feminino foi a Nova Zelândia, em 1893, graças ao movimento liderado por Kate Sheppard.

Participaram no movimento do sufrágio feminino, tanto mulheres como homens, na luta pela igualdade no direito ao voto.

As origens dos movimentos pela igualdade de direitos de voto e de participação política que deram origem ao Dia da Mulher remontam até à Europa medieval e sobretudo à Revolução francesa.

O movimento sufragista nos EUA

Dia da mulher Annie Kenney e Christabel Pankhurst, duas ativistas em favor do voto feminino

Annie Kenney e Christabel Pankhurst, duas ativistas em favor do voto feminino

 

Nos EUA, após a revolução, este movimento começou a tomar forma. As mulheres americanas intervinham na vida pública, mais do que acontecia na Europa.

Entre 1691 e 1780 as mulheres proprietárias de Massachusetts podiam votar, e alguns grupos como os American Quakers e indivíduos como Thomas Paine defendiam a emancipação das mulheres.

Sufragismo e Abolicionismo

“No século XIX as sufragistas americanas trabalhavam em movimentos abolicionistas, até ser decidida a criação de um movimento exclusivamente sufragista, onde se destacaram Lucretia Coffin Mott, Elizabeth Cady Stanton, Wendell Philips e Ralph Waldo Emerson.

Em 1848 Mott e Stanton prepararam a primeira Convenção dos Direitos das Mulheres, reunida em Seneca Falls, em Nova Iorque.

As líderes feministas em 1869 criaram a National Woman Suffrage Association, e outra fação sufragista formou a American Woman Suffrage Association.

Em 1890, Stanton e Anthony fundiram-se com esta última fação para fundar a National American Woman Association.

Finalmente, o direito de voto das mulheres foi concedido nos Estados do Colorado (1893), no Utah e em Idaho (1896), em Washington (1910).

Este movimento americano culminou com a aprovação pelo Congresso Americano em 1919 da Emenda à Constituição que concedia o direito de voto independentemente da raça e do sexo.

Porto Editora – Movimento das Sufragistas na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2022-03-08 10:55:52]. Disponível em  https://www.infopedia.pt/$movimento-das-sufragistas

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Fátima Muralha

Fátima Muralha

Licenciada em história, opcional história de arte. Pós graduação em gestão e valorização do património, especialização em gestão de projetos culturais. Vários cursos de especialização na área da valorização do património, gestão de projetos, museologia e formação profissional. Coordenação de vários projetos ligados ao património histórico e artístico. Autora de várias publicações e comunicações. Criação e coordenação do projeto Citaliarestauro.com.

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