O 25 de Abril, por Maria Helena Vieira da silva

A Revolução de 25 de Abril de 1974 tem sido tema e inspiração para artistas de diversas áreas. Sem dúvida que os cartazes de Maria Helena Vieira da Silva são já um símbolo da representação artística da Revolução dos Cravos.

Maria Helena Vieira da Silva

Maria Helena Vieira da Silva

Maria Helena Vieira da Silva | Uma das mais importantes pintoras europeias da segunda metade do século XX

Nasceu em Lisboa em 13 de Junho de 1908; morreu em Paris em 6 de Março de 1992.

Filha do embaixador Marcos Vieira da Silva, ficou órfã de pai aos três anos, tendo sido educada pela mãe em casa do avô materno, director do jornal O Século.

Tendo mostrado interesse, desde muito pequena, pela pintura e pela música começou a estudar pintura, a partir de 1919.  Em 1924, frequenta as aulas de Anatomia Artística da Escola de Belas Artes de Lisboa.

Em 1928 vai viver para Paris, acompanhada pela Mãe, indo visitar a Itália. No regresso começa a frequentar as aulas de escultura de Bourdelle, na Academia La Grande Chaumière. Mas abandona definitivamente a escultura, depois de frequentar as aulas de Despiau.

Começa então a estudar pintura com Dufresne, Waroquier e Friez, participando numa exposição no Salon de Paris. Conhece o pintor húngaro Arpad Szenes, com quem casa em 1930, e com quem visitará a Hungria e a Transilvânia.

Maria Helena Vieira da Silva Arvore da Liberdade

Árvore da Liberdade

Maria Helena Vieira da Silva e o 25 de Abril

O ano de 1974 seria marcante para a pintora devido à Revolução dos Cravos cujos acontecimentos terá seguido atentamente, com emoção e alegria.  A Revolução marcava o fim de um regime autocrático, o fim de uma guerra colonial sem sentido e um momento de mudança e de abertura fundamentais para o País, não só politicamente, mas também culturalmente. Residindo em França mas desejando participar de alguma maneira no clima de mudança que vivia o País, em 1975 Vieira da Silva exporá um conjunto de gravuras na Biblioteca-Museu Municipal de Vila Franca de Xira e, correspondendo ao convite de Sophia de Mello Breyner, executa dois cartazes memoráveis. Um, com o título A Poesia está na Rua e outro, 25 de Abril de 1974, ficarão para sempre como lugares simbólicos da Revolução de Abril, que guardamos na memória como parte do arquivo visual do 25 de Abril. O cartaz A Poesia está na Rua é uma referência histórica da sua ligação à liberdade e à democracia e revela bem como ela sentiu não só o momento mas tudo o que a cidade viveu nesse período.

Maria Helena Vieira da Silva e Arpad Szenes

O seu marido era judeu e e Maria Helena perdeu a nacionalidade portuguesa ao casar. Dada a complexa situação política na Hungria, decidiram oficialmente passar ambos à situação de apátridas residentes em França.

A poesia está na rua

A poesia está na rua

Em 1935 António Pedro organiza a primeira exposição da pintora em Portugal, e que a faz estar em Portugal por um breve período, até Outubro de 1936. Ficará em Portugal por pouco tempo, pois o governo de Salazar não lhe restitui a cidadania portuguesa, mesmo tendo casado pela igreja.

O casal de pintores decide-se a ir para o Brasil. No Brasil recebem passaportes diplomáticos, que substituem os de apátridas emitidos pela Sociedade das Nações. Residirão no Rio de Janeiro até 1947, pintando, expondo e ensinando.

Em 1956, foi-lhe dada a naturalidade francesa.

A Poesia está na Rua

A Poesia está na Rua

O reconhecimento de Maria Helena Vieira da Silva como uma das grandes artistas do Sec. XX

Vieira da Silva começa a ser reconhecida. O estado francês compra-lhe La Partie d’échecs, um dos seus quadros mais famosos. Vende obras suas para vários museus, realiza tapeçarias e vitrais, trabalha em gravura, faz ilustrações para livros, cenários para peças de teatro.

Expõe em todo o mundo e ganha o Grande Prémio da Bienal de São Paulo de 1962, e no ano seguinte o Grande Prémio Nacional das Artes, em Paris,

Em 1970, a Academia Nacional de Belas Artes nomeou-a seu membro efetivo, dez anos depois de lhe ter sido atribuído em França o grau de Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras. O Governo português atribui-lhe, em 1977, a mais alta condecoração, não militar, a Grã-Cruz da Ordem de Sant’Iago da Espada. No dia em que perfez 80 anos, recebeu a Grã Cruz da Liberdade. Foi sem dúvida o merecido, ainda que atrasado, tributo à insigne pintora portuguesa, mulher de princípios e causas de mérito universal.

A 3 de Novembro de 1994 foi inaugurado em Lisboa, no edifício da antiga Real Fábrica dos Tecidos de Seda, Jardim das Amoreiras, a Fundação e o Museu Árpád Szenes-Vieira da Silva.


Fontes:

José Augusto França, A Arte em Portugal no Século XX, Lisboa, Bertrand, 1974

MDM, Movimento Democrático de Mulheres, https://www.mdm.org.pt/maria-helena-vieira-da-silva/


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