Conheça a história dos museus em 5 atos

Neste artigo conheça a história dos museus em cinco atos. As épocas que marcaram a evolução dos museus e do seu conceito. Relembradas naquele que será um dos períodos mais difíceis para estas instituições e que irá trazer adaptações e mudanças que até agora não tinham sido pensadas.


 

 

Que tal conhecermos cinco grandes marcos da história dos museus?

história dos museus – Primeiro Ato – O Templo das Musas

Em suas origens, o museu está ligado ao Mouseion, o Templo das Musas da Antiguidade.

história dos museus Musas

Musas dançam com Apolo
Por Baldassare Peruzzi

 

O principal exemplo é o Museu de Alexandria, que conhecemos mais pela tragédia que culminou em sua destruição do que por sua história propriamente dita.

O Mouseion antigo pretendia ser universalista, funcionando também como os protótipos de Biblioteca e Universidade.

Especificamente em relação ao Museu de Alexandria sabe-se que funcionava como centro de pesquisa e de convívio, e é claro, não se trata de um espaço público, pois se baseia no modelo social aristocrático.

história dos museus – Segundo Ato – Gabinetes e Galerias

Nos anos correspondentes ao período medieval, é a catedral que sintetiza tudo que se refere ao humano e ao divino.

Mas com a expansão marítima, no Renascimento, começam as práticas de colecionismo mantidas em Gabinetes de Curiosidades. Nesses gabinetes, geralmente principescas ou reais, a quantidade era mais importante que qualquer tipo de organização – e longe ainda de serem públicas, eram reservadas à observação de pessoas que integravam o círculo social de seus donos.

O que completava tais coleções? Basicamente tudo que fosse trazido de longe e considerado pitoresco, de um crânio de algum animal à uma indumentária de algum povo distante.

Nessa época ainda se evitava o uso da palavra museu (devido ao incêndio de Alexandria e a ideia de azar que ela trazia), e a Galeria Uffizi, um museu de arte, é uma das primeiras tentativas de “especialização” baseadas na organização de um tema.

É também no Renascimento que se nota uma certa abertura da instituição (ainda não institucionalizada) aos visitantes. Claro que ainda não se trata de ser aberto ao público, mas jovens artistas da época tem sua visitação garantida – o que não é pouco, se considerarmos o modelo social vigente.

história dos museus – Terceiro Ato – Os Museus e o Público

 Nos séculos 17 e 18, a abertura dos museus é maior, mas como diz Marlene Suane, autora do livro O Que É Museu:

“é importante distinguir entre o significado de coleções abertas ao público e o verdadeiro sentido de uma instituição a serviço do público”.

história dos museus Ashmolean Museum Julho 2014

Ashmolean Museum Julho 2014

 

O primeiro museu público europeu aberto ao público é o Ashmolean Museum de Oxford, em 1683. A instituição foi aberta graças à doação de John Tradeskin a Elias Ashmole, que deixou recomendações específicas de que a coleção se tornasse um museu ligado à Universidade Oxford. Sua abertura ao público, entretanto, foi a um público específico: especialistas, estudiosos e estudantes universitários.

Mais de um século mais tarde, em 1793, é inaugurado o Museu do Louvre, que tem acesso gratuito para visitantes apenas nos finais de semana.

Entretanto, é o Museu Britânico que, em 1759, havia se tornado o primeiro museu público e gratuito da Europa. Além de abrigar as coleções, o museu europeu tinha um outro papel importante: ele era o espelho das mudanças que aconteciam na sociedade.

história dos museus – Quarto Ato – O Século dos Museus

Na segunda metade do século XIX, o museu é um instrumento de nacionalização.

Com a recente criação dos Estados (em especial o Alemão e o Italiano), o museu tem o papel de despertar no público sentimentos nacionalistas, patrióticos. É um período em que o papel do museu é marcado pela ideologia dominante.

Museu Nacional no Paço de São Cristóvão, em janeiro de 2011.

Museu Nacional em janeiro de 2011.

 

O século XIX também testemunhou a inauguração de vários museus, especialmente fora da Europa.

Com a chegada da família real portuguesa ao Brasil em 1808, era preciso modernizar a colônia para atender às demandas da corte. Uma das ações nesse sentido foi a criação do Museu Real (posteriormente chamado Museu Nacional) em 1818. Passou a ser aberto ao público, uma vez por semana, a partir de 1819.

Infelizmente, em 2018 o Museu Nacional sofreu um incêndio que pôs a perder, irremediavelmente, quase todo seu acervo.

No mesmo período, eram inaugurados o Museo Público, de Buenos Aires (1823) e o Museu de Bogotá, na Colômbia (1824).

história dos museus – Quinto Ato – O papel social do museu

Chegamos a segunda década do século XXI com sinceras preocupações sociais e políticas, e os museus não estão isentos a questionar, propor debates e refletir sobre elas.

Muitas perguntas cabem ao museu da atualidade, entre as quais:

  • Qual o papel social do museu?
  • De que maneira o museu pode contribuir para o desenvolvimento local?

As respostas parecem vir em forma de propostas metodológicas, que vão da ecomuseologia aos museus comunitários, em que o público não é apenas visitante, mas sobretudo construtor de significados.


Museus Para a Diversidade e Inclusão

O tema proposto pelo ICOM para o Dia Internacional dos Museus não poderia deixar de ser mais oportuno. Será que o acesso aos museus é natural como pensamos? Será que a inclusão existe de fato? Em uma carta escrita ao jornal The Times, em 26 de agosto de 1851, um homem que se identifica apenas como “empregado do interior” escreve:

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Fonte: O que é museu, de Marlene Suano

Em tempos de globalização e internet, não podemos ignorar que o acesso global ao museu ainda é uma utopia e que mesmo com mais trens disponíveis, boa parte do público ainda passa pelos problemas de acessibilidade que o remetente da carta ao The Times.

Mesmo com as possibilidades da internet, o museu precisa constantemente se questionar sobre seu papel enquanto instituição ligada à história e à memória de um lugar.


Rute-Ferreira

Rute Ferreira

Sou professora de Arte, com formação em Teatro, História da Arte e Museologia. Também sou especialista em Educação à Distância e atuo na educação básica. Escrevo regularmente no blog do Citaliarestauro.com e na Dailyartmagazine.com.  Acredito firmemente que a história da arte é a verdadeira história da humanidade.

Da autora

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