Quais são as 3 fases do cubismo?

Conheça as 3 fases do cubismo e as suas caraterísticas.

O Cubismo é tido como a raiz estética da arte abstracta. O Cubismo evoluiu bastante ao longo dos seus sete anos de actividade e, assim, podem-se distinguir três fases do cubismo para as quais vamos olhar de seguida.

  • 1ª fase: cezanniana, ou pré-analítica (1907-1909),
  • 2ª fase: analítica, ou hermética (1909-1912),
  • 3ª fase: sintética (1912-1914).

o que foi o cubismo

O intervalo de acção deste movimento posiciona-se entre 1907 e 1914 e deve a sua criação a Georges Braque e a Pablo Picasso.

Os artistas cubistas defendem uma arte pura, cerebral e conceptual através da reconstrução das formas naturais segundo a lógica e a geometria, e rejeitando a simples cópia ou representação da aparência visual e sensorial do objecto. Nos seus Cadernos de 1917-47, Braque afirmava:

«Não se deve querer apenas copiar as coisas. Devemos penetrá-las, tornarmo-nos nós próprios em coisas. (…) Não deve haver ideias preconcebidas; cada quadro é uma nova aventura.» (Georges Braque).

De facto, o Cubismo propõe uma nova representação com base nas mais recentes descobertas da Física (a teoria da Relatividade e a teoria da Quarta Dimensão) e da Filosofia (o conceito sociológico que o Ser Humano não se move apenas nas três dimensões do espaço físico, mas também no Tempo). Talvez por esta razão, as pinturas cubistas aparecem como uma representação coordenada de momentos estáticos, captados na mesma tela.

Conheça a 4ª dimensão do cubismo nesta ligação.

Além de ter sido influenciado pelas descobertas científicas da época, para a definição do Cubismo foi igualmente importante o trabalho de Cézanne, que encarava a pintura como uma reconstrução lógica e geométrica da Natureza, e a arte étnico-primitiva (sobretudo, a africana).

Conheça a influência da arte africana no cubismo nesta ligação.

Seguidamente vamos ver quais as fases do cubismo e as suas caraterísticas.


quais as fases do cubismo

fases do cubismo | a fase cezanniana

Tal como o próprio nome indica, foi fortemente influenciada pela obra de Cézanne.

Assim sendo, o Cubismo verá como início a manutenção e desenvolvimento da técnica desenvolvida por este pintor Pós-Impressionista.

Pode ficar a conhecer Cézanne carregando na ligação.

Les Demoiselles d'Avignon

Les Demoiselles d’Avignon, Pablo Picasso. 1907 (Museu de Arte Moderna, Nova Iorque)

 

Este é um dos quadros mais representativos desta fase e, também, aquele que marca o início da mesma.

As características principais da fase cezanniana são:

  • Temática de paisagem ou figura humana em atelier;
  • Representação racional e geométrica das formas (segundo a ideia de Cézanne de que tudo pode ser reduzido à sua forma geométrica-base);
  • Formas delineadas por contornos quebrados;
  • Manutenção dos volumes;
  • Existência de perspectivas múltiplas com o desdobramento dos planos;
  • Rostos são simplificados ou, então, representados como máscaras (influência da arte africana);
  • Paleta cromática reduzida.

fases do cubismo | a fase analítica

Esta será a fase  mais representativa do cubismo e onde Braque e Picasso conseguirão levar mais longe aquilo que haviam postulado teoricamente.

É a partir da fase analítica que o cubismo começa a ser apelidado como pintura abstracta – o que estava longe da intenção dos artistas, mas que é compreensível pelo resultado quase irreconhecível da representação.

Esta resulta da visão simultânea e multifacetada de vários planos do motivo observado (introdução da Quarta Dimensão), fazendo com que o mesmo pareça quase estar a implodir na tela e o objecto perde as suas características formais reconhecíveis à primeira vista. Ainda assim, mantém-se um certo estatismo nas formas pelo uso de planos achatados.

fases do cubismo A Guitarra, Georges Braque, 1909-10 (Tate Modern, Londres, Inglaterra).

A Guitarra, Georges Braque, 1909-10 (Tate Modern, Londres, Inglaterra).

 

A fase analítica é marcada por:

  • Temáticas de atelier, como sejam retratos e naturezas-mortas;
  • Acentuada geometrização das formas, com a prática de perspectivas múltiplas – as formas desdobram-se em vários planos, completamente achatados;
  • Anulação do fundo (confunde-se com o motivo, que invade totalmente a superfície do quadro);
  • Bidimensionalidade completa;
  • Bicromia: os pintores usavam exclusivamente ocres e cinzas.

fases do cubismo | a fase Sintética

A partir de 1912, o Cubismo abre portas a novos pintores, como Albert Gleizes, Jean Metzinger, Francis Picabia, Juan Gris, Marcel Duchamp, Robert Delaunay, entre outros.

Esta fase surge, ainda, como uma cristalização de toda a actividade desenvolvida pelos pioneiros Braque e Picasso. Como Juan Gris disse, o Cubismo era «(…) uma arte de síntese, uma arte dedutiva», e terá sido nesse sentido que a fase sintética vê um recuo em relação à produção da fase analítica.

Deste modo, na fase sintética observamos telas com motivos mais reconhecíveis.

fases do cubismo O Homem na varanda

O Homem na varanda (Retrato do Dr. Théo Morinaud), Albert Gleizes, 1912 (Museu de Arte de Filadélfia, EUA).

 

Pouco se alterará em relação à fase anterior, mas algumas características salientam-se:  

  • Formas geometrizadas e planas (embora com menos planos e pontos de vista que na fase analítica);
  • Regresso à policromia.

a importância do cubismo

O Cubismo terá uma influência duradoura pela arte do século XX, favorecendo o desenvolvimento de uma nova estética que abarcou a escultura (surge a escultura abstracta), a arquitectura, o design e o estilismo, e marcando também o Futurismo.

Pode conhecer o movimento futurista e as suas caraterísticas nesta ligação.

O movimento cubista é ainda responsável pelo acelerar do aparecimento do Abstracionismo e pelo surgimento de outros movimentos, como a Secção de Ouro, entre 1912 e 1914, que pretendia aplicar os princípios cubistas com o máximo rigor científico (daí o nome).

Yolanda Silva

Yolanda Silva

Tem formação em História da Arte (Faculdade de Letras da Universidade do Porto). O seu percurso levou-a a trabalhar no Arquivo Histórico Municipal do Porto e no Museu do ISEP, no âmbito do inventário e conservação de coleções de Fotografia. Andou pelo mundo dos antiquários e pelo turismo, até que se tornou formadora, dedicando-se às áreas de História da Arte, Iconografia e Conservação de Fotografia. Trabalha atualmente no Departamento de Cultura da Câmara Municipal do Porto, no âmbito do Património. Tem diversos trabalhos escritos / publicados nas áreas da História da Arte, Iconografia e Conservação.

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