A ascensão da dinastia carolíngia

Newsletter

Neste artigo vamos refletir sobre a emergência da dinastia carolíngia que implementou os padrões governativos e culturais que dominaram toda a Europa durante vários séculos.

A dinastia carolíngia

Com a desagregação do império romano e a organização da sociedade feudal, formaram-se inúmeros reinos no território europeu.

O reino formado na Gália, o reino franco, foi primeiramente governado pela dinastia merovíngia (481-751). A dinastia carolíngia sucedeu-lhe e foi a segunda dinastia francesa a dominar grande parte da Europa central, tendo governado entre meados do século VII e finais do século IX.

A ascensão da dinastia carolíngia

Em termos gerais, a ascensão desta dinastia deveu-se ao enfraquecimento do poder da dinastia merovíngia, à formação de uma poderosa clientela de vassalos graças à confiscação de terras da Igreja, e ao apoio dado à reforma dessa mesma Igreja.

Vejamos a situação em profundidade.
Pepino de Herstal

A emergência da dinastia carolíngia começa com a vitória de Pepino de Herstal sobre o seu rival da Nêustria-Borgonha, em 687, assenhoreando-se do território franco (681-714). Depois, lutou contra Frísios, Bávaros e Saxões, que anteriormente estiveram subjugados pelos Merovíngios.

Estabeleceu uma aliança, em 695, com o papado, decisiva para o novo rumo de governação que se estava a formar, baseada numa interdependência de poderes e interesses entre política e religião.

À data da sua morte, depois de algumas dificuldades em determinar a sucessão, Carlos Martel, seu filho natural mas ilegítimo, herdou o cargo do pai, major domus, cujo prestígio e poder suplantavam em muito o poder do rei.

Foi responsável pela submissão dos povos germânicos, à exceção dos Saxões, impondo aos vencidos tributos e abrindo caminho à sua conversão ao Cristianismo, pois a aliança com o papado foi mantida por ele. A capacidade de liderança de Carlos Martel tornou-se inequívoca.

Em 732, Carlos Martel derrota os Árabes, em Poitiers. Esta vitória estancou a ofensiva muçulmana na Europa, que já havia tomado a península ibérica, e consolidou a aliança entre os francos e a Igreja Católica. Este e outros feitos valeram-lhe o título “Herói da Cristandade”.

dinastia carolíngia - batalha de Poitiers

Batalha de Poitiers, Eugéne Delacroix, 1830 https://en.wikipedia.org/wiki/Battle_of_Poitiers#/media/File:Battle_poitiers.jpg

 

Em segundo lugar, fortaleceu-se a autoridade com a nobreza guerreira unida em torno de um comando centralizador.

O Papa Gregório III chama-o para o proteger dos Lombardos, mas entretanto Carlos Martel morre, deixando o poder aos seus filhos Carlomano e Pepino. De acordo com a tradição sálica, a situação afigurava-se polémica.

Contudo, Carlomano, torna-se monge em 747, o que permitiu estabelecer uma noção de unidade em redor de Pepino. Este é autorizado pelo Papa Zacarias e por S. Bonifácio, e, em 751, depõe, Childerico, último rei merovíngio. É, então, proclamado rei pelos nobres francos, através da sagrada unção. um acto reservado apenas a sacerdotes, e a sua aplicação a Pepino demonstrou o apoio do papado ao seu governo. Esta foi a primeira investidura como soberano por um pontífice.

Pepino “o Breve”
Dinastia Carolíngia - Pepino o Breve

Pepino o Breve
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/d/d9/Amiel_-_Pepin_the_Short.jpg

 

Pepino, “o Breve” e Carlomano utilizaram ainda a influência de Bonifácio para reorganizar a Igreja franca num conjunto de sínodos (assembleias do clero).Nesta fase o domínio bizantino exercido na península itálica enfraquece e sucedem problemas com a Sé Apostólica em virtude do iconocolasmo, factores propícios ao crescimento do poder religioso a ocidente.

Pepino uniu a Gália e libertou a Itália dos Lombardos, cedendo as terras conquistadas à Igreja, caso que ficou registado na obra “Vida do Papa Estevão II”.

Esta doação poderá ter sido o pretexto inspirou a redacção da mais notável falsificação medieval, a “Doação de Constantino”, elaborada talvez no século IX. Nela, o imperador Constantino declarava que a Igreja detinha o poder sobre toda a Europa ocidental, assim justificando o seu direito de influência em todos os reinos e propriedades. Caso que também contribuiu para determinar a reorganização da Europa, em todas as vertentes, depois da queda do império romano.

Antes de morrer, Pepino repartiu o reino entre os seus filhos Carlos Magno e Carlomano.

Carlos Magno

Carlos Magno (742-814) sucede no trono, depois da morte do seu irmão rival, Carlomano, em 771.

Esta figura, o rei dos lombardos, foi responsável pela concepção dos padrões governativos e culturais que dominaram toda a Europa durante vários séculos sendo responsável por um império de grandes dimensões, que se pretendia assemelhar ao romano.

NICHOLAS, D. (1999). O Ocidente Carolíngio: A Europa nos séculos VIII e IX. In A Evolução do Mundo Medieval. Sociedade, governo e pensamento na Europa: 312-1500. Lisboa, Publicações Europa-América.

Artigo publicado no Jornal da comunidade científica de língua portuguesa - "A Pátria"
Diana Carvalho

Diana Carvalho

Mestre em História e Património, membro do Conselho Científico da Revista Herança e colunista em a Pátria. Está actualmente integrada como técnica nas escavações arqueológicas do Castelo de Leiria. É também autora de artigos científicos na vertente do Património Cultural e da História.

Da autora

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.

Fill out this field
Fill out this field
Por favor insira um endereço de email válido.
You need to agree with the terms to proceed

Newsletter

Menu