Quer saber quem foi Carlos Magno?

Neste artigo fique a saber quem foi Carlos Magno e quais as fontes históricas para o conhecimento do fundador da dinastia carolíngia.

Por meio das suas conquistas das reformas políticas, Carlos Magno ajudou a definir a Europa Ocidental e a Idade Média na Europa.


 

quem foi Carlos Magno

quem foi Carlos Magno Albrecht Dürer - The Yorck Project (2002) web

Carlos Magno, por Albrecht Dürer – The Yorck Project (2002)

O reino franco do século VIII, formou-se pelo empenho e engenho militar de Clóvis e dos seus descendentes. Depois, com Pepino de Herstal, Carlos Martel e Pepino, o Breve, tornou-se o mais forte e poderoso dos reinos bárbaros europeus, e prólogo do império que viria a ser edificado por Carlos Magno, filho de Pepino, o Breve.

Com efeito, Carlos Magno (742-814), ascende ao trono em 771, depois do falecimento do seu irmão rival Carlomano. Torna-se herdeiro do reino franco e responsável pela conceção dos padrões governativos e culturais que dominaram toda a Europa durante vários séculos.

As suas qualidades de governação proporcionaram ao Ocidente europeu conhecer a primeira época de estabilidade e ordem, após uma época de invasões constantes.

quem foi Carlos Magno | as fontes históricas

A obra de referência sobre a sua vida é a biografia de Einhard. Ali ficaram registadas a sua aparência, o seu carácter, os vários matrimónios contraídos, a sua qualidade de conquistador (“Canção de Rolando”) e a sua capacidade de gerir os interesses das classes dominantes, das quais dependia, nomeadamente da nobreza.


Nesta ligação pode conhecer  a Vida de Carlos Magno (Vita Karoli Magni) por Einhard, tradução em inglês.

A Canção de Rolando é um poema épico composto no século XI em francês antigo.  Teve enorme influência na Idade Média, inspirando muitas outras obras por toda a Europa. Como outras canções do género era recitado por jograis nas cortes e nas cidades. O poema narra o fim heroico do conde Rolando, sobrinho de Carlos Magno, que padece junto ao seus homens na batalha de Roncesvales.

quem foi Carlos Magno | as expedições militares

As expedições militares ocuparam-lhe a maior parte da vida, obtendo grandes êxitos graças à superioridade da cavalaria, o ponto forte dos exércitos medievais.

Das suas campanhas militares destacam-se aquelas que asseguraram territórios entre o rio Reno e Elba, na Bavaria, onde estabeleceu a “Linha Militar de Leste”, no reino dos avaros, a sudeste da Europa, e a Saxónia. Aí ficou conhecido por ter executado 4500 saxões num só dia, como represália pelos sucessivos obstáculos que encontrou durante a conquista do reino e nas tentativas de implementação do cristianismo.

Implementa ainda um imposto correspondente à décima parte do trabalho e propriedade do que chegasse ao tesouro real.

De todos os seus empreendimentos resultaram um conjunto de reinos sob o domínio da dinastia carolíngia e que cobriam a maior parte da Europa, nomeadamente a Saxônia, a Lombardia, a Germânia, e uma faixa do território da atual Espanha.

quem foi Carlos Magno | a relação com a igreja

Carlos Magno e o Papa Adriano I, por Antoine Vérard

Carlos Magno e o Papa Adriano I, por Antoine Vérard

O maior êxito de Carlos Magno deveu-se à aliança estabelecida com a Igreja e o papado de Roma.

Nas campanhas militares deste rei, havia sempre missionários e pregadores da fé cristã, com a função de converter e batizar os povos conquistados, enquanto o seu corpo militar e administrativo os submetiam ao seu poder político.

Estes eventos revestiram as suas expedições de um sentimento de cruzada a favor da Igreja. Esta, por sua vez, beneficiava ao ver a sua influência espiritual alargada a novos domínios, muitas vezes também doados pelos reis ao papado.


quem foi Carlos Magno | o imperador

Outro momento digno de nota deu-se quando Carlos Magno aproveitou a oportunidade certa para interferir nos assuntos do papado a fim de obter maior poder.

Contudo, também o Papa sabia que beneficiaria de uma situação de auxílio. Por esta altura o Papa estava privado da sua autonomia e independência em Itália e, o trono de S. Pedro, encontrava-se, assim, ameaçado. Precisava então de restaurar o seu poder por alguém de autoridade incontestável, um imperador.
Deste modo, Carlos Magno, intercede a favor de Leão III (sucessor no papado), no julgamento a que estava condenado por heresia, e consegue que este seja ilibado.
O Papa recompensou-o largamente ao coroá-lo como imperador e Augusto do sacro-império romano-germânico, caso que abalou as relações com Constantinopla, que só reconhecia o imperador romano.

o impacto político

A coroação de Carlos Magno como imperador do ocidente teve um grande impacto político.

A primeira consequência deu-se com a quebra do laço de dependência legal entre o papa e os reis ocidentais e o império Bizantino, dado que o novo imperador passava a ser o legítimo herdeiro dos imperadores romanos, com todos as suas pessoas e territórios.

O segundo grande resultado foi a transferência da dignidade imperial para os reis francos, unificando o ocidente europeu sob o mesmo poder político, ou temporal, o dos reis francos e o mesmo poder espiritual, o do cristianismo e o do papado em Roma.

os sucessores

A coroação de Carlos Magno como imperador também teve consequência significativas para os seus descendentes, na medida em que nem sempre houve vontade de assumir a governação de todo aquele vasto território, sendo sucessivamente fragmentado.

As preocupações destes reis sucessores vinculavam-se sistematicamente às do plano religioso, tanto que o próprio Carlos Magno foi apelidado de rei “teocrático”, exemplo disso foi a obrigação imposta a todos aqueles com mais de 12 anos de lhe jurar fidelidade e, assim, aceitar a lei de Deus.

o impacto cultural

O seu reinado ficou também marcado por um período de renascença cultural, pois este era um soberano preocupado com a ortodoxia religiosa e com a cultura, protegendo ambas através de uma simbiose de influências que procuravam resgatar a essência latina do final do império romano, após a conversão de Constantino em 312.


NICHOLAS, D. (1999). O Ocidente Carolíngio: A Europa nos séculos VIII e IX. In A Evolução do Mundo Medieval. Sociedade, governo e pensamento na Europa: 312-1500. Lisboa, Publicações Europa-América.


Artigo publicado no Jornal da comunidade cientifica de língua portuguesa – A Pátria.
Diana Carvalho

Diana Carvalho

Mestre em História e Património, membro do Conselho Científico da Revista Herança e colunista em a Pátria. Está actualmente integrada como técnica nas escavações arqueológicas do Castelo de Leiria. É também autora de artigos científicos na vertente do Património Cultural e da História.

Da autora

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Fill out this field
Fill out this field
Por favor insira um endereço de email válido.
You need to agree with the terms to proceed

Newsletter

Menu