Laocoonte e seus Filhos | A beleza da tragédia

Newsletter

Analisando Arte | Laocoonte e seus Filhos

Dentre as muitas obras belas e fascinantes que o período helenístico legou à humanidade, o conjunto escultórico Laocoonte e Seus Filhos com certeza é um dos mais comoventes.

A força dessa obra de arte, produzida num dos períodos de maior florescimento artístico na Grécia, vai desde seu tema até a extrema habilidade dos artistas na representação da tragédia vivida pelo sacerdote.

Vamos olhar para esta escultura fascinante na companhia de Rute Ferreira.

800px-Laocoon_Pio-Clementino_Inv1059-1064-1067web

Hagesandro, Atenodoro e Polidoro de Rodes, Laocoonte e Seus Filhos, c. 175-50 a.C, Museo Pio Clementino, Vaticano

Laocoonte e a Guerra de Troia

Esculpida por Hagesandro, Atenodoro e Polidoro, em mármore, a obra pode ser a cópia de um original anterior, feito em bronze, que não chegou aos nossos dias.

Isso é questionável, porém. O fato é que se trata de uma das mais bonitas representações da arte e da mitologia grega.

Laocoonte é um dos personagens que aparece na Eneida, de Virgílio e na Iliada, de Homero. Natural de Troia, ele fez uma advertência aos compatriotas.

“não aceitem o cavalo de madeira, presente dos gregos, ou seremos todos destruídos”.

Os sacerdotes e adivinhos são peças fundamentais na Mitologia Grega, pois estabelecem a relação entre passado, presente e futuro. Na tragédia de Édipo, por exemplo, é o velho adivinho Tirésias quem conduz a teia de revelações que vão da ascenção à queda do monarca tebano.

Mas voltemos a Laocoonte. Com sua advertência, ele não apenas chegou perto de frustrar todo o plano do exército grego. Ele desafiou os deuses, e os contos sobre essas criaturas não cansam de mostrar que isso nunca fica sem um castigo, muitas vezes cruel demais. Foi esse o caso de Laocoonte.

A Guerra de Troia, diferente do que muitos pensam, não foi um incidente de amor isolado envolvendo Paris e Helena. Seus motivos e implicações transcendem e muito esse romance.

Ao ver a interferência do sacerdote, Poseidon (em algumas versões do mito) envia duas serpentes marinhas que atacam Laocoonte e seus filhos, Antífantes e Timbreu.

É uma das histórias mais terríveis sobre a crueldade dos deuses olímpicos, um verdadeiro conto de terror.

Quer saber mais sobre a Guerra de Tróia ? E conhecer todas as personagens envolvidas e episódios? 

Curso Online Mitologia Greco Romana

A Escultura Laocoonte e Seus Filhos

 E esse terror e crueldade são capturados com maestria nessa escultura, datada de mais ou menos 1750-50 a.C e descoberta em 1506.

Justamente o período em que a Europa vivia o Renascimento – que não por acaso, é o período histórico em que a Antiguidade Clássica é vista e resgatada como fonte não apenas de inspiração, mas também de conhecimento.

No período conhecido como helenístico, em que esse conjunto foi produzido, a Grécia acabava de passar por uma verdadeira revolução no sentido de produção artística.

Enquanto nos séculos anteriores o artista ainda esculpia e pintava com certa rigidez, já em finais do século V a.C a principal característica da obra de arte passa a ser a leveza.

Além disso, o trabalho do artista passa a ser visto de outra forma; ele não tem agora somente uma função religiosa ou política, mas começa a ser admirado pelo trabalho que realiza e por sua habilidade, especialmente na representação do corpo humano.

Representar o corpo humano não é uma tarefa fácil, mas os gregos a executaram muito bem.

A noção de simetria, harmonia e beleza desenvolvida nas estátuas gregas é realmente algo fascinante. Veja novamente a estátua que apresentamos hoje para confirmar isso.

Em Laocoonte e Seus Filhos, a figura central é o sacerdote.

 

O cLaocoonte detalha1orpo forte e vigoroso se contorce de dor e agonia ao ser envolvido pelas serpentes. Músculos contraídos e até mesmo veias salientes são vistas no corpo do sacerdote.

 

 

 

 

 

 

Este que olha para o alto em atitude desesperadora. Laocoon detalhe 2

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Laocoonte detalhe 3Com uma das mãos – a única que está inteira – ele segura e tenta repelir uma das serpentes, que envolvendo o braço de um de seus filhos, lhe morde na altura da cintura.

 

 

 

 

 

 

 

Os dois rapazes, Antífantes e Timbreu, completam o doloroso quadro.

laocoon detalhe 4O jovem da esquerda, o menor deles, num gesto parecido com o do pai, tenta tirar de si a serpente, de forma inútil. Sua expressão de dor chega até nós: é uma criança sendo devorada injustamente por um monstro.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Laocoonte detalhe 5

 

Do outro lado, o rapaz mais crescido olha para o pai enquanto tenta se desenvencilhar da besta que se enrosca em seu tornozelo.

Em poucos instantes, tudo terá terminado para eles e os planos dos deuses seguirão sem maiores interrupções.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Nesse momento, porém, embora imóvel, todo grupo é dinâmico. A rigidez que marcou os primeiros trabalhos gregos no campo da escultura não aparecem aqui.

Tudo flui: os movimentos de esforço evidentes, as torções e a expressão de luta e dor em cada face.

Talvez seja isso que torne essa obra tão grandiosa: a capacidade que os artistas tiveram de congelar um momento tão vivo sem deixa-lo inanimado.


Pode ter interesse nos cursos online e e-books

4 Comentários. Leave new

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.

Fill out this field
Fill out this field
Por favor insira um endereço de email válido.
You need to agree with the terms to proceed

Newsletter

Menu