Contar a história da arte em África… primeiras palavras sobre o curso

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Contar a história da Arte em África é regressar às origens da humanidade, ao berço da civilização, aos primeiros sinais de cognição humana, de interação com o mundo material e de criação de símbolos visuais que o representem e interpretem.

Leia as primeiras palavras sobre o curso Arte africana pela autora Manuela Tenreiro.

A história da arte em África

Para dar uma perspetiva o mais ampla possível do que isso significa, pensemos que são centenas de milhares de anos, onde a evolução de uma consciência humana se desenrolou em isolamento do resto do mundo.

A partir do Vale da Grande Fenda, situado no atuais estados do Quénia e da Tanzânia, saíram as primeiras migrações de humanos modernos que se espalharam por toda a África.

Uma extensão de cerca de 30 milhões de metros quadrados -, criando os primeiros grupos linguísticos, as quatro protolínguas de onde germinaram as cerca de 2000 línguas nativas que hoje se falam em África.

A capacidade artística, o reconhecimento e representação do ambiente pode ser apreciada por toda a África em pinturas rupestres e esculturas do período pré-histórico.

São testemunho de que a arte, como a humanidade, tiveram origem em África.

História da arte em África -A arte dos San na África do Sul

A história da arte em África enquanto campo de estudo

É importante dar esta dimensão temporal da história da Arte em África , porque a inclusão da arte Africana na história da arte é relativamente recente.

A história da arte enquanto campo de estudo criado no século XVIII era essencialmente eurocêntrica, relegando a arte Africana, como a arte de outros continentes para a antropologia e a arqueologia.

Nisso foi informada pela mentalidade daquela época quando as nações Europeias se afirmavam como potências colonizadoras e tomavam para si a responsabilidade das chamadas ‘missões civilizatórias’.

Justificadas por teorias ‘cientificas’ que colocavam o homem europeu no topo de uma hierarquia biológica e cultural de raças.

Pode-se dizer que a política e a ciência se apoiavam mutuamente na elaboração de teorias que facilitariam a partilha e colonização da África a partir da Conferência de Berlim em 1885.

África - Conferência de Berlim em 1885

Para os historiadores de arte dessa época, concentrados na produção e estética Europeias, a arte Africana entraria de rompante, primeiro pela mão de antropólogos e colecionadores Europeus.

Depois na revolução artística que inspirou pintores e escultores modernistas por todo o mundo a romper com as regras da estética que até então orientavam o conceito europeu de arte.

História da arte em África Derain

O desenvolvimento da arqueologia a partir do século XIX também permitiu a maior visibilidade de uma África que não encaixa na ideia de primitivismo a que se relegaram as culturas Africanas no passado.

Por essa razão, o Egito foi retirado por assim dizer do continente Africano, interpretado e concebido como o berço da civilização Europeia, totalmente separado de uma origem ou interação cultural com a África negra.

Porém, ao longo do século XX fomos aprendendo que o Egito teve a sua origem na África, nas comunidades que habitavam o Nilo.

Sabemos também que por toda a África proliferavam centros urbanos, cidades majestosas, reinos poderosos, rotas de comércio de Norte a Sul, de Leste a Oeste, minério e construções monumentais.

História da arte em ÁfricaO Reino de Kush

Pouco a pouco, através da colaboração entre várias disciplinas como a história, a arqueologia, a antropologia, a genética e as ciências naturais, tem sido possível reconstruir a história da arte em África.

Contar a história da arte em África é uma tarefa monumental

Resumindo, contar a história da arte em África é uma tarefa monumental.

A extensão temporal e espacial, e as questões frequentemente polémicas, permitem que aqui se faça apenas um panorama generalizado.

Inclusivo do maior número possível de culturas, suportes, materiais, estilos de representação, influências e períodos, embora sem grande espaço para aprofundamentos mais específicos.

Não se pretende dar ênfase maior a uma civilização ou outra na África, mas procura-se dar uma ideia da enorme diversidade cultural que a arte Africana representa para o património da humanidade.

Espera-se porém, que este panorama geral possa levantar a curiosidade dos leitores relativamente a culturas e períodos específicos.

E que esse interesse conduza a estudos e pesquisas mais detalhados que possam enriquecer o seu conhecimento pessoal.

Estrutura do curso Arte Africana

O curso foi estruturado em quatro partes partes numa sequência cronológica onde se descrevem em paralelo as produções artísticas das principais culturas nas diferentes regiões geográficas Africanas.

História da arte em África – Parte 1

Na primeira parte, aborda-se a expressão artística mais antiga da humanidade: a arte rupestre.arte africana cursos online sobre a história da arte africana

Desde as grutas da África do Sul, onde se manifestam as primeiras práticas artísticas de que há conhecimento, à abundância de pinturas rupestres por todo o pré-Deserto do Saara.

A primeira parte termina há cerca de 5000 anos com a sedentarização da região do Nilo a que a desertificação do Saara obrigou.

História da arte em África – Parte 2

segunda parte inicia-se com as primeiras culturas sedentárias nas regiões dos rios Nilo e Níger.

Os primeiros centros urbanos, o desenvolvimento das culturas da Idade do Ferro e as tradições artísticas destas primeiras civilizações.

Cobre-se um período ao qual nas últimas décadas se convencionou chamar AEC (Antes da Era Comum), o qual em outros tempos de relato histórico se chamava a.C. (antes de Cristo).

Assim, a segunda parte trata da formação, ascensão e queda do Egito, do poderoso Reino de Kush (ou Núbia como lhe chamavam os Egípcios e como ficou conhecida no Ocidente).História da arte em África cursos sobre a Diaspora africana

E a expansão dos povos Bantu a partir do atual Camarões para a África central, do sul e oriental.

História da arte em África – Parte 3

terceira parte cobre os primeiros 1500 anos da Era Comum (EC), e é dedicada ao desenvolvimento do Cristianismo e do Islão em África.

Assim, aborda a criação do reino Cristão de Axum (ou Etiópia como lhe chamavam os Gregos, e nome que adotou e pelo qual ficou conhecido no Ocidente).

A expansão do Islão pelo norte da África e pela África oriental, e termina com a chegada dos Portugueses, a conversão do Kongo ao Catolicismo no final do século XV.

Kongo e não Congo, uma convenção que os historiadores de África fazem para distinguir a cultura ancestral Kongo do Estado moderno Congo.

Até porque ao primeiro corresponde parte do atual Congo mas também parte da atual Angola.

História da arte em África – Parte 4

Finalmente, a quarta parte sobrepõe-se cronologicamente à terceira em alguns casos.

Em geral faz o panorama da arte dos grandes impérios, reinos, cidades e culturas a partir da chegada dos Europeus e do início do tráfico de escravos transatlântico, que marca o começo da Era Moderna.

Terminamos no século XIX-início do século XX, quando a África foi efetivamente dividida e colonizada pelas potências Europeias.

E objetos artísticos africanos passaram a fazer parte do mercado de arte Europeu, influenciando artistas ocidentais.

Quanto à arte colonial, pós-colonial e da diáspora Africana (ou seja a arte produzida pelos povos afrodescendentes fora da África) merecem o seu próprio espaço num curso separado pelo que não serão abordadas aqui.

Arte Africana – Curso online Certificado

No final do curso será emitido certificado de formação.Entidade formadora certificada

Somos entidade formadora certificada pela DGERT – Certificado de entidade formadora nº 1800/2015 –  pelo que o certificado tem validade internacional.

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