A Última Ceia. Porque identificamos esta representação tão facilmente?

Hoje, vamos olhar para a última ceia de Leonardo da Vinci e para mais algumas representações deste episódio da vida de Jesus em pintura. E perceber porque nos é tão fácil identificar esta representação na arte.

a última ceia

Este fresco que se encontra em  Santa Maria delle Grazie em Milão, Itália, é uma das obras mais visitadas desta cidade. É igualmente uma das mais famosas obras de Leonardo.


Pode conhecer melhora a vida e obra de Leonardo da Vinci carregando aqui.


Vamos olhar com mais atenção para a última ceia de Leonardo e descobrir algumas das suas particularidades.


Mas porque é tão óbvio que estamos perante a representação de a última ceia ?

Talvez porque, ainda que não formalizadas, detemos as ferramentas de análise iconográfica que nos permitem identificar os significados a esta obra.

Em 1939, Erwin Panofsky apresentou o seu método iconológico de análise da obra de arte. A aplicação que faz deste método à análise de a última ceia de Leonardo da Vinci ajuda-nos a responder à questão.

Vamos ver de seguida.


Os 3 níveis de análise

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A Última Ceia – Leonardo da Vinci, Sala do Refeitório do Convento de Santa Maria delle Grazie, Milão.

 http://en.wikipedia.org/wiki/Last_Supper#mediaviewer/File:%C3%9Altima_Cena_-_Da_Vinci_5.jpg

nível primário corresponde a um nível básico de entendimento, ou seja, a percepção natural da obra. Neste primeiro nível, não usamos conhecimentos nem domínios culturais aprofundados para perceber a mensagem.

Portanto:

1ª leitura – treze homens à mesa na hora da ceia

segundo nível de compreensão requer já um certo conhecimento iconográfico, na medida em que aqui começa a interpretação da mensagem e do seu significado. Assim, qualquer indivíduo que tenha tido uma educação da cultura ocidental poderá, à partida, identificar a cena como a da Última Ceia de Jesus com os seus Apóstolos.

2ª leitura – A Última Ceia

No terceiro e último nível de interpretação, o observador não apenas recebe e interpreta a mensagem contida naquela representação, como procura interpretá-la sob o ponto de vista histórico, social e cultural, procurando interrelações que ampliem o seu significado. Este nível vê a arte não apenas como acto isolado, mas como produto de circuntâncias históricas, sociais e culturais propícias à sua criação. Desta forma, o terceiro nível de conhecimento necessita de um conhecimento e entendimento mais aprofundados, a nível técnico, cultural e histórico, para responder à última questão: «O que significa?»

3ª leitura – tema encontra-se representado na sala de refeitório do Convento – um tema recorrente para este tipo de divisão, pelo seu carácter doutrinal e referência ao momento da refeição.


E quais são os elementos recorrentes nesta representação que nos levam a identificá-la?

estudo para a última ceia

Estudo para a última ceia Leonardo da Vinci

A Última Ceia é sem dúvida uma das cenas mais representadas na arte ocidental. É o momento do anúncio da traição de Judas e da Eucaristia, normalmente obedecendo ao Evangelho segundo Mateus.
A representação típica coloca Jesus como figura central, durante a ceia de páscoa judia. Jesus pode estar a erguer o cálice ou a partir o pão, gestos associados ao momento da benção do pão e do vinho (Lucas 22, 19: . Judas pode ser representado ou não, mas geralmente figura como alguém mais escuro e com o saco das moedas (na mão ou atrás das costas), que está separado ou parece estar a sair da cena.

Os outros Apóstolos estão alvoraçados e entristecidos, questionando quem será o traidor de que Jesus fala. O Apóstolo João é representado como o mais novo, imberbe.
Todos têm nimbos, excepto Judas. Sobre a mesa, os objectos variam, mas consta o essencial: pão, copos, vasos e pratos de cerâmica e, por vezes, uma faca. Por vezes, Judas é representado aproximando a mão da faca. “

Yolanda Silva

Yolanda Silva

Tem formação em História da Arte (Faculdade de Letras da Universidade do Porto). O seu percurso levou-a a trabalhar no Arquivo Histórico Municipal do Porto e no Museu do ISEP, no âmbito do inventário e conservação de coleções de Fotografia. Andou pelo mundo dos antiquários e pelo turismo, até que se tornou formadora, dedicando-se às áreas de História da Arte, Iconografia e Conservação de Fotografia. Trabalha atualmente no Departamento de Cultura da Câmara Municipal do Porto, no âmbito do Património. Tem diversos trabalhos escritos / publicados nas áreas da História da Arte, Iconografia e Conservação.

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