Quer saber quem foram os Medici? E porque razão há uma tão grande concentração de obras de arte em Florença?

Neste artigo fique a saber quem foram os Medici e por que razão há uma tão grande concentração de obras de arte na Cidade de Florença.


 

Os Medici

Juntamente com outras famílias italianas como os Visconti e os Sforza, de Milão, os Este, de Ferrara, e os Gonzaga, de Mântua, a família patrícia florentina Medici teve um poder fulcral em Florença durante 300 anos, com breves interrupções.

Do século XIV com Cosme, o Velho, ao XVIII com Gian Gastone, foi uma das mais conhecidas e prestigiadas famílias da história italiana.

Oriundos de Mugello, mudam-se para Florença no século XIII, atraídos pela potencialidade económica da cidade e abandonando a agricultura para se dedicarem à atividade financeira (banqueiros). Viram a sua fortuna e influência da família aumentarem paulatinamente, atingindo o apogeu com o governo de Lorenzo, o Magnífico.

Não tinham origem na nobreza e João de Bicci de Médici, considerado o “fundador” do poder dos Medici não era de uma família abastada.

João de Medici

João de Medici

Papas, grão-duques e rainhas

Da casa de Medici, provieram quatro papas, Leão X (p. 1513-1521), Clemente VII (p. 1523-1534), Pio IV (p. 1559-1565) e Leão XI (por 26 dias em abril de 1605).

Leão XI Medici

Leão XI

Sete grão-duques: Cosme I (1519-1574), Francesco (1541-1587), Ferdinando I (1549-1609), Cosme II (1590-1621), Ferdinando II (1610-1670), Cosme III (1642-1723) e Gian Gastone (1671-1737).

Duas rainhas de França: Catarina de Médici (1519–1589), consorte de Henrique II; Maria de Médici (1573–1642), consorte de Henrique IV.

Catarina de Médici, retrato atíbuído a François Clouet.

Catarina de Médici, retrato atíbuído a François Clouet.

O Mecenato dos Medici

Com os Medici, Florença viveu um período irrepetível na época mais esplendorosa de Itália. Viviam-se anos de fervor artístico e de grande desenvolvimento cultural, em que não se terminava uma obra sem se começar outra. Todos os grandes arquitetos, pintores e escultores da época não tinham mãos a medir para tantas encomendas.

Cosme, o Velho, cedo se apercebeu da importância propagandística dos seus donativos e que as suas coleções de arte aumentavam o prestígio da família.

O mecenato dos Medici na vida intelectual, cultural, científica e artística, deu um grande impulso à época renascentista de Florença e uma fama particular à família.

Grandes colecionistas, fizeram importantes encomendas aos melhores artistas e protegeram-nos.

Cosme, o Velho (1389-1464), fundou em 1444 a primeira biblioteca pública da Europa (trinta anos antes da Vaticana) e patrocinou a tradução de textos de Platão.

Cosme I foi mecenas de Donatello, Filippo Lippi e Paolo Uccello.

Lorenzo, o Magnífico (1449-1492) acolheu o jovem Miguel Ângelo na sua casa, após ver o seu precoce talento como pintor. Foi tratado como um filho, com um quarto próprio e comia à mesa com a prestigiada família.

Lorenzo foi também responsável pela coleção da Galeria dos Uffizi e da Galeria Palatina, no Palácio Pitti.

A doação que transformou a história de Florença

A morte do último grão-duque, Gian Gastone di Medici a 9 de julho de 1737, não deixou descendentes para a cidade de Dante Alighieri e Filippo Brunelleschi.

Segundo o estabelecido no pacto de 1735, Francesco de Lorena herdou o ducado e foi imediatamente para Florença tomar posse do seu novo estado e dos cargos públicos, convertendo a Toscana numa província austríaca.

A irmã de Gian Gastone, Anna Maria Ludovica (1667-1743), fica com toda a herança dos bens da família, incluindo as coleções de obras de arte (móveis, jóias, relíquias, pinturas, esculturas…) reunidas ao longo dos séculos e impede a dispersão do património artístico dos Medici.

Anna Maria Ludovica, Jan Frans van Douven

Anna Maria Ludovica, Jan Frans van Douven

No intuito de atrair a curiosidade de forasteiros, deixou o espólio ao grão-ducado, sob a condição de o conservarem e de nunca daí sair.

Esta doação transformou a história de Florença!


Diana Ferreira autora cursos online

Diana Ferreira

Licenciada em História da Arte pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto e mestre em Museologia em Espanha (Valladolid).
Trabalhou na Galleria Nazionale d’Arte Moderna di Roma e na direção da Galleria dos Uffizi, em Florença.
Bolseira diversas vezes com projetos de estudo e trabalho em Itália e Espanha, foi formadora e professora responsável pela disciplina de História da Arte no Porto, e de Introdução à História da Arte, Iconografia e História da Arquitetura, na Academia de Arte em Florença.
Em 2014 publicou o livro Guia dos Tesouros Arquitetónicos. Lisboa, Chiado Editora, 2014, fruto de uma investigação aprofundada sobre os temas.

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