Gestão de museu sustentável – o desafio

Partilhamos a reflexão da colega Emília Mori Sarti Fernandes sobre gestão de museu sustentável. 

O progressivo alargamento dos conceitos de Património e consciencialização  para a sua salvaguarda levam a que as questões da sustentabilidade do Património sejam atualmente de enorme importância. Colocam-se assim novos desafios à gestão de museus.

Este artigo pretende demonstrar a possibilidade de gestão de museu como fonte geradora de conhecimento, formadora de cidadãos e como conseguir exercer sua funcionalidade de maneira mais apropriada.

Embora escrito no contexto da gestão de museu no Brasil as ideias apresentadas são aplicáveis noutros quadrantes geográficos. Será sem dúvida uma fonte de reflexão e mesmo de debate para todos quantos atuam na área da museologia e património cultural .


gestão de museu sustentável | resumo

O principal objetivo desse trabalho é demonstrar a possibilidade de gestão de museu como fonte geradora de conhecimento, formadora de cidadãos e como conseguir exercer sua funcionalidade de maneira mais apropriada. É uma forma de fomentar tanto a formação e qualificação profissional e de estudiosos da área, quanto às normas e procedimentos para organizar e gerir um museu de forma mais eficiente e apropriada.

O descaso aplicado aos Museus se deve ao fato de possuírem orçamento limitado, pois as Instituições são vistas como investimentos sem retorno a curto prazo, sem seguridade de votos e sem visibilidade política. As burocracias que assolam os Museus não definem as prioridades, não analisam e nem decidem quais os melhores caminhos a serem desenvolvidos, somente os sucateiam e reduzem a disponibilidade de recursos para manutenção, conservação e segurança dos acervos. Assim, com orçamentos reduzidos, uma das soluções para auxiliar e estruturar, seria definir prioridades, analisar e decidir quais seriam os melhores investimentos a serem realizados para cumprir a maneira mais eficaz e possível de gerir a Instituição.

Surge a ideia de gestão sustentável, reencontrando a função primeira do Museu: a social.

É um desafio para os gestores, para a direção, bem como aos profissionais que trabalham nos Museus, pois os entraves são inúmeros e as mudanças para novas práticas museais também dificultam, uma vez que, a sociedade se modernizou, exigindo a democratização e acesso aos bens culturais, através da pauta social do Museu ao incluir em seus programas as questões de cidadania e socioambientais.

Analisaremos o foco sustentável da Gestão Museológica como uma possível forma de atuar nos Museus para cuidar do patrimônio, do acervo e das memórias, bem como do aprofundamento educacional como compreensão dos fatos e do ser humano.


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gestão de museu sustentável | introdução

Após a destruição do Museu Nacional em setembro de 2018, com perdas inestimáveis ao acervo, muitos profissionais da áreagestão de museu Museu Histórico Nacional do Brasil capa museológica indagam-se a respeito do descaso das autoridades e com novos caminhos a serem adotados como forma para preservação, conservação e manutenção do patrimônio histórico do Brasil e até mesmo no mundo.

A negligência da sociedade com o patrimônio a ser preservado tornou-se ainda mais evidente com o incêndio da Catedral de Notre-Dame em meados de abril desse ano. Todavia, o descaso maior é em nosso país que, ao invés de traçar caminhos a serem adotados e destravar as burocracias para as Instituições terem mais recursos e maior participação da sociedade, o governo atola as instituições com burocracias, barreiras e dão pouco retorno aos interessados em ajudar, colaborar ou apoiar.

a política nacional de museus

O governo cria a Política Nacional de Museus, com os objetivos: “Promover a valorização, a preservação e a fruição do patrimônio cultural brasileiro, considerado como um dos dispositivos de inclusão social e cidadania, por meio de desenvolvimento e da revitalização das instituições museológicas existentes”. Contudo, tais conteúdos deveriam estar de acordo com a realidade e a prática dos Museus. Esta prática é a análise e o diagnóstico, procedimentos essenciais em instituições que lidam com Patrimônio Cultural, exposições, pesquisa, coleções, documentação, aquisições e descarte de acervo, entre outras funções típicas de Museus, pois é assim que podem ser tomadas as atuações em cada área do Museu, de acordo com suas necessidades, para o cumprimento em diferentes projetos.

Aqui não estamos tratando a respeito de gestão pública ou privada, mas de possíveis caminhos a serem adotados para os museus continuarem com suas funções fundamentais para sociedade: a educação , a inclusão social e a cidadania.

gestão de museu sustentável | a política e a burocracia

Como citado anteriormente, a tragédia do Museu Nacional no Brasil foi um dos exemplos mais tristes e reveladores da falta de critérios de nosso país na escolha das prioridades e na negligência com o futuro como nação.

Embora as investigações das causas do incêndio ainda estejam em andamento, o Museu não conseguia nem verba mínima para seu funcionamento. Em razão disso, a instituição se encontrava em situação precária e lastimável. A própria direção do Museu Nacional -em reportagem do IREE para a correspondente em Londres, Maria Antonia De’Carli – informou que o Museu Nacional estava em situação irregular com as normas de segurança de incêndio e pânico, pois aguardavam a verba ser liberada pelo BNDES para regularizar as práticas mais urgentes, porém, as verbas nunca vieram.

No entanto, o que mais chamou a atenção foi o pedido de ajuda por mais de 20 anos, sem retorno do governo federal. Além disso, não liberou o fundo aprovado pelo Congresso Nacional em 2014 para restauração do Museu.

Ainda a respeito dos dados levantados na mesma reportagem:

Entre 2013 e 2017, houve uma redução de cerca de 336 mil reais no orçamento anual do Museu Nacional. Em 2018, o museu tinha recebido apenas R$ 54 mil para pagar as contas e para sua manutenção, pouco mais do que os R$ 33 mil que um ministro do Supremo recebe mensalmente.

Essa é uma prova do descaso das principais figuras (governantes) responsáveis por assegurar a manutenção do patrimônio brasileiro. Afinal, arte e cultura não trazem resultados imediatistas e nem asseguram votos.

A falta de prioridade com o patrimônio histórico brasileiro já existe de longa data. No Brasil, 63% dos museus são públicos e sofrem com cortes orçamentários. O debate aqui não é entre publico e privado. É sobre organização orçamentária (e obviamente, a perda orçamentária que é desviada por conta da corrupção no Brasil).

gestão de museu pública ou privada

Em países da Europa – como Noruega e Reino Unido – a grande maioria da administração e do controle dos museus se encontram nas mãos do poder público e, no ano passado (2018) constataram aumento dos fundos públicos para a arte e cultura, já inclusa manutenção dos museus.

Outro exemplo de administração público-privada se encontra nos Estados Unidos, pois há conselhos que selecionam projetos, criando mais autonomia. Nesse país temos o governo incentivando economicamente as empresas privadas a doarem verbas a projetos de museus que ultrapassam os incentivos tributários, fomentando a cultura, a educação e o lazer. Ou seja, o governo brasileiro não tem como prioridade o patrimônio histórico e, o pouco orçamento direcionado à manutenção, conservação, restauração e descarte, é submetido a cortes orçamentários.

Num país onde não há valorização do seu patrimônio histórico e cultural, há a perda da ligação entre o seu passado, presente e futuro. Afinal, é com a análise do passado, É olhando para a história, que passamos a considerar a identidade nacional, e, no contexto atual de um país já em crise identitária, o incêndio do Museu aprofundarão ainda mais essa crise.

gestão de museu sustentável | os desafios

Gegê Leme Joseph uma arquiteta e museóloga, atuou durante dez anos em museus na África do Sul e outros países. Retornou ao Brasil, e foi entrevista pelo Cultura e Mercado, o qual fez a revelação do que julga os desafios atuais da gestão de museus:

o obstáculo primordial nos dias de hoje está no desafio que os museus encontram para refletir, de dentro para fora, as mudanças que vêm ocorrendo em suas funções e raison d’être, e os impactos definitivos que estes impõe aos modelos de gestão prevalentes até hoje.

Esta revolução no pensar museológico mundial não começou agora, mas foi bastante priorizada desde a última crise econômica mundial. Em países onde recursos públicos para os museus escassearam, iniciou-se um processo de pressão governamental e pública para que eles se tornassem mais sustentáveis. Para isso, estão tendo que se tornar mais relevantes, se aproximar de suas comunidades de interesse e estabelecer com elas uma relação de utilidade pública verdadeira. Somente comprovando relevância para seus públicos, os museus têm conseguido continuar acessando recursos públicos para suas operações. Além disso, estão tendo também que buscar formas criativas e comerciais de transformar seus próprios recursos (coleções, arcabouço de pesquisa, espaços, pessoas etc.) em produtos e serviços que, ainda que alinhados com sua missão, sejam atraentes e capazes de gerar receita. Assim, museus estão passando a se centrar nas necessidades reais de seus públicos e não na percepção de necessidade estabelecida por seus profissionais. (JOSEPH, 2014).

o impacte da mudança na gestão de museu

A museóloga ainda ressalta que tal mudança causa um impacto grande na gestão de Museus, inclusive, a nível mundial, pois delega aos profissionais a responsabilidade de adaptar as práticas com a finalidade de uma gestão museológica sustentável adequada a um museu de grande importância e significado aos seus públicos.

Contudo, a sua efetiva prática se depara com diversos entraves, como, por exemplo, as resistências internas das comunidades museológicas. Para Gegê, esse é o maior e mais difícil obstáculo à boa gestão dos museus nos dias de hoje.

Dessa forma, verificamos que há muita burocracia imposta pelos governos na atuação dos museus e esta dificuldade leva a consequências desastrosas, como em conseguir contratar recursos humanos e materiais, bem como nas pressões políticas. Conforme a museóloga:

Cada país tem uma especificidade de gestão de museus. Essas são mais condicionadas pelas políticas públicas culturais e seus impactos sobre as instituições. Em geral, o melhor modelo é aquele que permite independência a seus gestores para tomarem decisões pautadas em reais benefícios para os museus e não em pressões políticas. Faz parte da boa gestão atender as necessidades dos ‘stakeholders’ e manter ao mesmo tempo intactos os valores, visão e missão do museu, e consistência absoluta em seu foco. É um trabalho delicado e de equilíbrio tênue, mas faz parte da cartilha de boa gestão não só de museus, mas de instituições em geral.(JOSEPH, 2014).

 

Gegê Leme Joseph ainda faz questão de frisar:

Bem como outros países, o Brasil está em processo de mudança de seus modelos de gestão para refletir os novos pensares e fazeres museológicos. Museus e centros culturais têm atraído públicos crescentes, como comprova o sucesso de grandes exposições temporárias e de instituições como o Museu do Futebol em São Paulo, Inhotim em Minas Gerais, o MAR no Rio de Janeiro e tantos outros.

Entretanto, para a maioria dos museus, essas mudanças de modelo de gestão são lentas e esbarram não só nas dinâmicas naturais de adaptação das práticas profissionais e estruturais, mas também nas especificidades dos modelos de financiamento público para cultura, que apesar de terem muitas vantagens, acabam por favorecer projetos focados em resultados isolados ao invés de potencializarem investimentos na reestruturação organizacional dos museus. (JOSEPH, 2014).

Portanto, é essencial a avaliação de nossas instituições, integrando os setores, pois com a globalização mundial, devemos potencializar os recursos materiais e humanos dos museus.

Os Museus são denominados os guardiões de todo patrimônio, sendo imprescindível analisar qual a melhor forma de disponibilizar tais recursos à nossa sociedade. Essa é a verdadeira estratégia da gestão museológica: traçar as expectativas e desejos do público, permitindo novos modelos de gestão e conquistando os resultados que estamos buscando.

Gestão Econômica sustentável: novos caminhos

Entre 2003 e 2006 o Ministério da Cultura criou a Política Nacional dos Museus – Memória e Cidadania. Foram as primeiras iniciativas práticas voltadas para a museologia brasileira. O texto foi criado em Maio de 2003 e prevê o principal objetivo da Política Nacional dos Museus:

Promover a valorização, a preservação e a fruição do patrimônio cultural brasileiro, considerado como um dos dispositivos de inclusão social e cidadania, por meio de desenvolvimento e da revitalização das instituições museológicas existentes.

Existem procedimentos de organização e gestão dos museus públicos brasileiros, os quais detalham as diretrizes e elaboração do Plano Museológico, bem como quais os programas deverão conter.

As informações apresentadas servem para reestruturação de Museus já existentes ou em funcionamento, assim como aqueles ainda em projeto. Tais informações são parte do Plano Museológico. Este plano prevê desde a missão e mandato até a parte jurídica da Instituição, abarcando o regimento interno e estatuto, a tipificação institucional de governança, o código de ética, a previsão e funcionamento de associação dos amigos do Museu.

Há também a previsão da conduta de exposições, coleções, documentação, aquisições e descarte de acervos, bem como pesquisas, entre outras características típicas de Museus.

A compreensão do passado nos faz capazes de agir no presente e definir o futuro. Assim, o Museu não é limitado somente ao papel de salvaguardar o acervo histórico do passado, mas também alcança a função de local para reflexões, debates, críticas sobre as indagações do nosso momento presente, auxiliando os cidadãos a construírem um mundo mais humano, mais sustentável. Conforme as lições de Júlio Cesar Bittencourt Francisco e Valdir Jose Morigi:

No mundo contemporâneo, o papel do Museu não se limita a ser o “guardião” da herança cultural do passado. O Museu é um espaço de reflexão, discussão, de debates sobre as questões que nos inquietam no presente e, ao mesmo tempo, pode servir de ‘abrigo’ a elas, transpassando os tempos, auxiliando os cidadãos construírem um mundo mais sustentável. Um exemplo de Museu e sustentabilidade no século XXI é o projeto de construção e gestão do Museu de Imagem e do Som – MIS, que está sendo edificado no Rio de Janeiro. Segundo os planos de implantação do MIS, ele já vai nascer com um projeto arquitetônico que leva em conta as questões ambientais e de sustentabilidade.(Francisco e Morigi, 2013).

gestão de museu | o Plano museológico

O Plano Museológico deverá conter as atuações em cada área, a composição da pauta social do Museu e incluir em seus programas as questões de cidadania e socioambientais. As últimas são de extrema relevância, tendo em vista que dependemos do meio ambiente e de sua sustentabilidade adequada para nossa existência.

Dessa forma, temos a necessidade de gestão sustentável dos Museus, pois transformaria a gestão museológica mais voltada à sociedade, ao meio-ambiente, à cidadania e a educação, promovendo maiores possibilidades de evitar o desperdício e alcançar as expectativas almejadas.

As Nações Unidas assim definiram gestão sustentável: um empreendimento para ser sustentável deve ser: socialmente justo, economicamente viável e ambientalmente aceitável.”

Esta também é a definição dada por Nascimento (2012, p.8):

Nos embates ocorridos nas reuniões de Estocolmo (1972) e Rio (1992), nasce a noção de que o desenvolvimento tem, além de um cerceamento ambiental, uma dimensão social. Nessa, está contida a ideia de que a pobreza é provocadora de agressões ambientais e, por isso, a sustentabilidade deve contemplar a equidade social e a qualidade de vida dessa geração e das  próximas. A solidariedade com as próximas gerações introduz, de forma transversal, a dimensão ética.

gestão de museu | sustentabilidade econômica e social

 Há diversas áreas abarcadas pelo conceito de sustentabilidade. Todavia, a área tratada nesse artigo é a Sustentabilidade econômica e social, a qual seria de grande valia para tracejar novos caminhos à gestão de museu com a missão de alcançar a coletividade, dentro dos princípios éticos e dos valores culturais-sociais. Conforme Rendeiro (2011, p.6) :

a sustentabilidade econômica se aplica no Museu através […] de recursos financeiros que é sempre limitado. O atual estado de carência financeira que afeta os Museus nacionais obriga a que se reformulem os modelos de gestão vigentes.

Ou seja, a sustentabilidade econômica é o equilíbrio que deve existir entre o consumo, à conservação e à preservação do ambiente, evitando o desperdício e para garantir a viabilidade da sociedade atual e a continuidade para as gerações futuras.

gestão de museu | linhas de atuação

Assim, é necessário que se estabeleçam as linhas de atuação, isto é, utilizar os recursos de forma eficaz, mantendo a transparência e a confiabilidade do público, do governo, dos patrocinadores e doadores. Cada valor ganho em seu benefício deverá ser investido gestão de museu MISno benefício coletivo, pautado pelos princípios éticos, morais, atentos ao planejamento cuidadoso e às escolhas adequadas para garantir a qualidade. Até a monitoria contra os desperdícios seria uma forma de ajudar na economia sustentável da Instituição.

um exemplo

Uma boa forma de sustentabilidade econômica e ambiental seria colocar no projeto da Instituição a mesma previsão feita no Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro. Nesse projeto há a intenção de gerar uma economia de energia em torno de 26%, e água em 35%. A economia é realizada através de sistemas eficientes de captação de luz do meio ambiente e de energia solar, bem como de reaproveitamento das águas utilizadas nos serviços, bem como sistema de monitoramento contra os vazamentos e desperdício de energia e iluminação inteligente nas dependências do Museu.

A gestão museológica voltada para a sustentabilidade possibilita a interdisciplinariedade de áreas que é de suma importância aos museus, pois os auxilia na compreensão das mais variadas necessidades de cada sociedade, respeitando e entendendo a diversidade, fomentando a educação, a cultura, a cidadania, bem como a justiça social.

Em 2015, o Instituto Brasileiro de Museus, utilizando a perspectiva da gestão sustentável, deixou clara relevância dos debates:

Podemos também pensar uma vida sustentável com o estabelecimento de uma relação economicamente viável com o mundo. Tal concepção pode se aplicar aos museus, por exemplo, por meio da utilização de seu potencial gerador de emprego e renda, bem como pelo estabelecimento de parcerias com empreendedores locais, de modo a fomentar o desenvolvimento da região e favorecer o equilíbrio do que está a sua volta. (IBRAM, 2015, p. 2).

o desafio da gestão sustentável

O desafio é equilibrar os três pilares de uma gestão sustentável: o econômico, o ambiental e o sociocultural dentro do museu, pois é um dos papéis fundamentais da Instituição trazer o tema para expor não só em mostras culturais, mas também propor a atuação crítica para mudar a qualidade de vida da sociedade, da cidadania, conforme o raciocínio de Brüninghaus-Knubel:

a comunicação dos vários valores e aspectos da história cultural ou natural, da arte ou ciência, aos visitantes de tal forma, que estes os compreendam e os possam comparar com a sua própria experiência no campo (Brüninghaus-Knubel, 2004, p.134).

gestão de museu | o desafio da cidadania

O Museu deve se unir aos educadores com a importante missão de se estabelecer a importância da exposição a favor do ensino. Essa ação educativa não formal, efetiva construção de significados e a aprendizagem. De acordo com Stuart (2012, p.63):

Pontos de vistas variados; diversidade; estímulo aos senso crítico; abertura; respeito a diferentes opiniões; confronto de ideias; contextualização cultural e histórica; olhares multidisciplinares; consciência cidadã; estas e outras estratégias e valores devem estar presentes nas exposições dos Museus caso queiramos que estes espaços sejam promotores da cidadania(STUART, 2012, p.63).

O papel educativo dos museus, promovendo a curadoria educativa e exposição a favor do ensino são justamente citados como parte dos oito princípios do International Council of Museums (ICOM), em seu Código de Ética:

Os museus têm o importante dever de desenvolver o seu papel educativo atraindo e ampliando os públicos egressos da comunidade, localidade ou grupo a que servem. Interagir com a comunidade e promover o seu patrimônio é parte integrante do papel educativo dos museus (ICOM, 2004, p. 24).

A discussão sobre gestão sustentável de museus ainda é muito recente, haja vista as referências serem boa parte datadas do século atual, contudo, é necessário essa provocação para as próximas gerações colocarem em pauta o enfoque da sustentabilidade para que os museus se reafirmem em sua proposta primeira que é a função social.

CONCLUSÃO

Atualmente a gestão de museu encontra desafios bem difíceis de serem transpostos. Contudo, a sustentabilidade vem surgindo como alternativa para a preservação, manutenção, salvaguarda e sobrevivência dos Museus, submetidos às mazelas das administrações governamentais precárias, burocráticas e com faltas de recursos.

A gestão museológica sustentável seria uma alternativa não só para o museu como também para a sociedade, transformando o público inerte numa comunidade participativa, proporcionando mais interação, cultura, lazer, cidadania consciente e mais humana.

A interação das áreas seria de relevante importância, por trazer maior interdisciplinariedade entre a comunicação, informação, educação, debates e a aprendizagem enriquecedora não só como compreensão do mundo complexo em que vivem, como também de consciência social.

Portanto, é essencial a avaliação de nossas instituições, integrando os setores, pois com a globalização mundial, devemos potencializar os recursos materiais e humanos das Instituições Museais.

Os Museus são denominados os guardiões de todo patrimônio, sendo imprescindível analisar qual a melhor forma de disponibilizar tais recursos à nossa sociedade. Essa é a verdadeira estratégia da gestão museológica: traçar as expectativas e desejos do público, permitindo novos modelos de gestão e conquistando os resultados que estamos buscando.

Em síntese, a gestão sustentável de museus trata das diversas ações possíveis e de articulação com a educação para potencializar suas funções e sua administração e, até mesmo, na educação ambiental.


A sua opinião:

Quais são os grandes desafios que se colocam à gestão de museu atualmente?

Agradecemos os seus comentários!


Referências bibliográficas do artigo

1.-DE’CARLI, Maria Antonia. “O Brasil faz questão de esquecer sua história”. Disponível em: https://iree.org.br/brasil-faz-questao-de-esquecer-historia/. Acesso em 10 abr 2019.

2.-HERCULANO, Mônica. Entrevista para o Cultura e Mercado: Desafios da gestão de museus – museóloga e arquiteta Gegê Leme Joseph. 15 ago 2014. Disponível em: https://www.culturaemercado.com.br/site/entrevista-desafios-da-gestao-de-museus/ Acesso em 20 fev 2019.

 

3.-FRANCISCO, Júlio Cesar Bittencourt; MORIGI, Valdir José.  XXV Congresso Brasileiro de Biblioteconomia, Documentação e Ciência da Informação: Uma reflexão sobre gestão sustentável de museus e o ensino da museologia no século XXI. Florianópolis, SC – Brasil, 07 a 10 jul 2013. Disponível em: https://portal.febab.org.br/anais/article/viewFile/1646/1647.

4.-AURELIANO, Luciana Guizan; COAN, Samanta; Filho, Eduardo Romeiro. 12ºCongresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design. Panorama da Sustentabilidade nos Museus. Universidade Federal de Minas Gerais. Belo Horizonte (MG), 2016. Disponível em: https://www.proceedings.blucher.com.br/article-details/panorama-da-sustentabilidade-nos-museus-24555. Acesso em 12 dez 2018.

5.-CÂNDIDO, Manuelina Maria Duarte. Gestão de Museus, Um Desafio Contemporâneo: Diagnóstico Museológico e Planejamento. 1ª ed. Porto Alegre:Mediatriz.240 páginas, ISBN:978-85-64713-07-9.

Emilia Mori foto (002)

Emília Mori

Colaboradora no “Citaliarestauro.com” – Criação e tutoria do Curso “Linhas Gerais da Gestão Museológica” e do Curso “Patrimônio Cultural” e vários artigos. Experiência profissional nas áreas da docência e museologia. Pós Graduação em Gestão e Ensino a Distância; Graduação em História; Pós-graduação em Gestão Museológica;  Pós-graduação em Docência; Graduação em Direito; Pós graduação em Patrimônio Cultural.

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