Anita Malfatti | A Beleza de uma pioneira

A Beleza de uma pioneira. A Pintura Moderna de Anita Malfatti 

Conheça Anita Malfatti no artigo de Rute Ferreira, autora de vários cursos na área de História da Arte.

anita malfatti retratoQuando se fala em modernismo no Brasil é natural nos remetermos à Semana de Arte Moderna ou Semana de 22, como ficou conhecido o evento que serviu de marco para que a arte brasileira pudesse ser considerada de fato moderna e que até hoje está associada a nomes como Oswald de Andrade, Di Cavalcanti e Tarsila do Amaral. Esse é um ponto pacífico.

O que muitas vezes fica obscuro ou talvez esquecido é que a abertura dos portões da arte moderna foi feita alguns anos antes pelas mãos e pinceis de uma mulher, a pintora Anita Malfatti. As obras de Anita Malfatti  então uma jovem artista, provocaram a ruptura fundamental que seria ponto de partida para o modernismo.

Retrato de Anita Malfatti by Wikiart

auto retrato anita malfattiAutorretrato,1922, pastel sobre papelão, Coleção de Artes Visuais do Instituto de Estudos Brasileiros – USP (São Paulo, SP)

AUTO-RETRATO . In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/obra1379/auto-retrato>. Acesso em: 10 de Fev. 2019. Verbete da Enciclopédia.
ISBN: 978-85-7979-060-7

Infância e adolescência

Anita Malfatti nasceu em São Paulo, em 1889. Filha de pai italiano e de mãe americana. A artista teve em sua infância e na adolescência um ponto de partida substancial para a obra que desenvolveria a seguir.

Com a morte do pai, quando ela ainda era uma criança, Anita passou por um trauma indescritível.

Além disso, a menina desenvolveu uma atrofia em uma das mãos, ainda em seus primeiros anos, que poderia muito bem tê-la demovido da ideia de pintar. Não foi o que aconteceu.

Em 1910, Anita embarcou para Berlim, e lá pôde ter contato com as diversas vanguardas artísticas que tomavam conta do continente europeu. Além de Berlim, a pintora viajou para outros lugares da Europa e também para os Estados Unidos.

Contacto com a estética modernista

Essas viagens fizeram com que ela apreendesse o espírito modernista que ainda não havia chegado ao Brasil, mas que o fizesse com os olhos de uma brasileira.

Pode ficar a conhecer os movimentos das vanguardas artísticas europeias no curso online “Do Pós Impressionismo ao Abstracionismo”.

Anita ficou fascinada pelo expressionismo, e podemos afirmar que a artista foi a maior representante do expressionismo no Brasil.

Anita Malfatti, o Homem de Sete CoresA interferência dessa estética em sua obra pode ser vista em quadros como O Homem de Sete Cores, um trabalho belíssimo em que Anita utiliza a sinuosidade, a deformação, o alongamento das figuras e cores que não costumavam fazer parte da mesma paleta para compor uma figura humana carregada de verdade. Esse quadro chamou atenção imediata do escritor Mário de Andrade, um dos principais autores modernistas do país, quando ele o viu na primeira exposição individual de Anita em sua volta ao país, em 1917. A admiração da obra se transformou em amizade com a pintora, e essa amizade seria uma das pedras fundamentais na estrutura da Semana de 22.

Anita Malfatti, o Homem de Sete Cores, 1916, Museu de Arte Brasileira.

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A crítica

Mas nem todos tiveram a mesma reação de Mário. Ao ficar diante das pinturas O Homem Amarelo e Mulher de Cabelos Verdes, o crítico de arte e escritor Monteiro Lobato fez severas críticas às obras de Anita Malfatti .

Anita Malfatti,. Mulher de Cabelos VerdesAnita Malfatti,. Mulher de Cabelos Verdes, 1916, Coleção Particular.

Em um artigo intitulado Paranóia ou Mistificação? A propósito da exposição de Anita Malfatti o autor de Sítio do Pica Pau Amarelo foi incisivo: Anita possuía talento, mas se deixou levar pelas “extravagâncias de Picasso e primeiras vanguardas banner 2companhia” e que por isso colocou todo seu talento “a serviço de uma nova caricatura. Lobato afirma que as pinturas ditas modernas, de que fazem parte as vanguardas artísticas, nada tinham de bonitas e que aqueles que porventura tivessem elogiado a obra de Anita estariam tão seduzidos e errados quanto ela. Pense que estamos falando de 1917, quando a opinião da crítica era mais uma espécie de “sábios ensinamentos” para uma elite recém-formada.

Claro que isso foi um golpe para Anita, que apesar de esperar críticas, provavelmente não esperava algo nesse tom.

O artigo de Monteiro Lobato, porém, foi um fator determinante, para o bem e para o mal.

Por um lado, essas críticas fizeram com que um grupo de artistas, escritores, pintores e músicos percebessem que o Brasil realmente precisava romper com uma velha tradição e se encontrar com o novo, com o moderno, estar afinado às mudanças estéticas que aconteciam em outras partes do mundo. Esse desejo teve sua culminância – e ponto de partida, ao mesmo tempo – na já mencionada Semana de 22.

Por outro lado, o artigo de Monteiro Lobato deixou Anita Malfatti insegura com relação a sua atitude estética. A partir de então, a artista já não trabalha tanto com a estética expressionista, pelo menos não como nas obras que expôs em 1917.

Anita Malfatti, La Rentreè

Anita Malfatti, La Rentreè, 1927, coleção particular

Repare, por exemplo, na obra La Rentrèe, de 1927 (ou seja, uma década após a primeira exposição individual).

A sinuosidade e a agonia desapareceram, as linhas intensas e a deformação são apenas uma lembrança. Suas cores, entretanto, permanecem. A artista continua compondo com tons diferentes de verde, amarelo e alguns tons de ocre, algo que pode ser considerado uma marca no trabalho dela.

O Reconhecimento

Logo após a Semana de 22, Anita seguiu para a França, onde produziu principalmente retratos e algumas paisagens. Estas obras de Anita Malfatti pouco ou nada tinham a ver com o expressionismo ao qual ela se dedicara em seus primeiros anos.

Em 1928 ela voltou ao Brasil e o que aconteceu em seu retorno foi uma recepção completamente diferente. Afinal, o interesse agora era justamente nas obras de arte moderna.

Aclamada como uma grande artista, ela foi convidada a dar aulas de desenho e pintura e fez isso em vários lugares, além de ensinar História da Arte também.

Em 1963, um ano antes de sua morte, Anita teve uma sala inteira da Bienal de Artes de São Paulo dedicada a ela e até hoje é uma das artistas bem lembradas no país. Um reconhecimento justo à primeira pintora moderna do Brasil.

Conheça melhor as obras de Anita Malfatti no Instituto dedicado a esta artista brasileira.


Pode estar interessado nos cursos da autora:

História da Arte no Brasil

Mercado de arte

Curadoria de Arte

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