Análise de Arte | o método de Panofsky

O método de análise de Panofsky

Em 1939, Panofsky apresenta o seu método iconológico de análise da obra de arte. Neste, ele defende que não podemos apenas depender das fontes literárias. Estas nem sempre são fiáveis, porque podem nem existir! Segundo afirma, devemos investigar o o modo como, de acordo com as diferentes condições históricas a que está sujeito, o artista escolhe o tema, objecto ou facto; e passa a estudar o significado.

Autora: Yolanda Silva

Img07_M01_Panofsky                                                                   

Erwin Panofsky

O exemplo de Panofsky é muito claro:

Um homem levanta o seu chapéu. Em termos iconográficos, o que existe é esta acção em que o homem retira o chapéu da cabeça. Todavia, numa análise iconológica, descortina-se um significado do gesto. Tendo como base a cultura ocidental que possuem ambos intervenientes (quem vê e quem levanta o chapéu), sabemos que aquele é um gesto de cordialidade. Todavia, chegar a este nível de compreensão depende, à partida, de um conhecimento prévio dos valores sociais que envolvem esse gesto. 

Portanto, identificam-se três níveis de compreensão, como já vimos:

  1. O primário ou natural
  2. O secundário ou convencional
  3. O terciário ou intrínseco.

     Iconografia dos Santos

A partir da imagem d’A Última Ceia, de Leonardo daVinci, vamos analisar cada um destes pontos.

Img08_M01_ultima ceiaweb

A Última Ceia – Leonardo da Vinci, Sala do Refeitório do Convento de Santa Maria delle Grazie, Milão.

 http://en.wikipedia.org/wiki/Last_Supper#mediaviewer/File:%C3%9Altima_Cena_-_Da_Vinci_5.jpg

 

nível primário corresponde a um nível básico de entendimento, ou seja, a percepção natural da obra. Neste primeiro nível, não usamos conhecimentos nem domínios culturais aprofundados para perceber a mensagem.

Portanto:

1ª leitura – treze homens à mesa na hora da ceia

 

segundo nível de compreensão requer já um certo conhecimento iconográfico, na medida em que aqui começa a interpretação da mensagem e do seu significado. Assim, qualquer indivíduo que tenha tido uma educação da cultura ocidental poderá, à partida, identificar a cena como a da Última Ceia de Jesus com os seus Apóstolos.

2ª leitura – A Última Ceia

No terceiro e último nível de interpretação, o observador não apenas recebe e interpreta a mensagem contida naquela representação, como procura interpretá-la sob o ponto de vista histórico, social e cultural, procurando interrelações que ampliem o seu significado. Este nível vê a arte não apenas como acto isolado, mas como produto de circuntâncias históricas, sociais e culturais propícias à sua criação. Desta forma, o terceiro nível de conhecimento necessita de um conhecimento e entendimento mais aprofundados, a nível técnico, cultural e histórico, para responder à última questão: «O que significa?»

3ª leitura – tema encontra-se representado na sala de refeitório do Convento – um tema recorrente para este tipo de divisão, pelo seu carácter doutrinal e referência ao momento da refeição.

Vamos explorar um pouco mais estes três níveis de análise da obra de arte, colocando-o em prática com um exemplo diferente.

 

 

Este artigo é baseado numa página do curso:

Iconografia (Jesus e Maria)

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