Estará na hora de repensar a proteção do património cultural ?

Estará na hora de repensar a proteção do patrimonio cultural com um olhar realista sobre os grandes riscos que atualmente se colocam. Depois do incêndio no Museu do Rio de Janeiro e na Catedral de Notre Dame chega-nos hoje a notícia da destruição pelo fogo do Castelo de Shuri, em Okinawa, no Japão. Com mais de 500 anos foi classificado como Património Mundial pela UNESCO em 2000.

Pode acompanhar a notícia aqui.

Mais uma enorme perda para a história e património da humanidade. E com enorme impacto mediático em todo o mundo.

Estes desastres levam as entidades oficiais a diagnosticar causas e a repensar diretrizes e legislação para a proteção do património cultural e geram uma onda de indignação e tristeza.

proteção do património cultural | há casos e casos…

Quando falámos neste site, com o contributo de colegas do Brasil, sobre o incêndio do Museu no Rio de Janeiro de imediato se atribuíram as causas ao descaso por parte das entidades oficiais relativamente à proteção do património cultural . Aos orçamentos limitados, ao deficiente funcionamento dos meios de combate a incêndios, à não aprovação de verbas para obras de remodelação e modernização, etc, etc. E sem dúvida que se tudo isso tivesse funcionado ter-se-ia evitado uma das maiores perdas para a história do Brasil e do Mundo.

Mas o que dizer sobre a Catedral de Notre Dame? Um dos monumentos mais visitados do mundo e, consequentemente, um dos mais rentáveis em termos económicos e, à partida, com os meios e atenção necessária à prevenção de riscos.

E sobre o Castelo de Shuri? As autoridades de Okinawa teriam seguramente implementados meios de proteção do património cultural e de gestão de riscos.

e outros casos…

Sem o mesmo impacto mediático tem acontecido a destruição de património cultural um pouco por todo o mundo.

Igreja é destruída pelo fogo e única coisa que se salva é quadro de Jesus“. Wakefield, Estados Unidos, 2018.

Pequena igreja do século 17 é destruída por incêndio“. Diamantina, Brasil, Outubro 2019.

Incêndio reduz a igreja de Lavradas a cinzas“. Ponte da Barca, Portugal, 2017.

repensar a proteção do património cultural

Quando estes eventos ocorrem procuram-se causas e responsabilidades. Os organismos oficiais alteram legislações e libertam meios para reconstrução. Geram-se correntes de solidariedade e surgem donativos. Em suma, há reação.

Mas as catástrofes não se evitam com reação mas sim com prevenção.

E a prevenção e gestão de riscos deverá ser adequada e eficaz relativamente aos riscos e problemas reais que se colocam à proteção do património cultural atualmente.

Não há coincidências! A sucessão de desastres de dimensão e impacto mediático variável mas sempre representando perdas inestimáveis para a nossa memória coletiva não é um acaso.

E os desafios que se colocam a todos quantos têm a responsabilidade de velar pela proteção do património cultural – e essa responsabilidade é mesmo de todos – são provavelmente muito maiores do que imaginamos.

A necessidade de implementar mecanismos de prevenção e gestão de riscos em património cultural é cada vez maior. Mas é igualmente necessário repensar quais são efetivamente os riscos e a dimensão que podem atingir.

Será provavelmente também necessário repensar a relação de todos nós com o património cultural e ir mais além. Passar das indispensáveis políticas de prevenção para uma mentalidade de prevenção.

Muito obrigada pela sua atenção.

Fátima Muralha


Vários organismos têm desenvolvido trabalhos de grande valia para a prevenção de riscos, nomeadamente de riscos de incêndio.

Nesta ligação pode descarregar os guias de Prevenção de riscos em edifícios de valor patrimonial disponibilizados pela Junta de Castilla y Leon, em Espanhol e Português.


A sua opinião e contributo:

Pensa que é possível desenvolver  uma mentalidade de prevenção de riscos e proteção do património cultural? Com que medidas?

Tem conhecimento de outros trabalhos (guias ou trabalhos técnicos) relativos à proteção do património que sejam úteis a todos os colegas? Pode partilhar link nos comentários ou enviar para geral@citaliarestauro.pt para divulgação.

Fátima Muralha

Fátima Muralha

Licenciada em história, opcional história de arte. Pós graduação em gestão e valorização do património, especialização em gestão de projetos culturais. Vários cursos de especialização na área da valorização do património, gestão de projetos, museologia e formação profissional. Coordenação de vários projetos ligados ao património histórico e artístico. Autora de várias publicações e comunicações. Criação e coordenação do projeto Citaliarestauro.com.

Sobre conservação do património cultural

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