A conservação de fotografias é um desafio essencial no campo da preservação do património, uma vez que estes objetos são particularmente sensíveis à degradação química e física. Entre os diversos fatores que influenciam a sua longevidade, o tipo de materiais utilizados no armazenamento e acondicionamento desempenha um papel determinante. Neste contexto, o uso de papel livre de ácido destaca-se como uma prática fundamental.
O papel comum, frequentemente ácido devido aos processos industriais de fabrico, pode acelerar a deterioração das fotografias, causando amarelecimento, fragilidade e perda de imagem. Em contraste, o papel livre de ácido é produzido para ter um pH neutro ou ligeiramente alcalino, reduzindo significativamente os riscos de degradação. Assim, a sua utilização em envelopes, caixas e intercaladores contribui diretamente para a estabilidade e preservação a longo prazo das coleções fotográficas.
Este artigo explora as razões pelas quais o papel livre de ácido é essencial na conservação de fotografias, abordando os seus benefícios, aplicações práticas e esclarecendo dúvidas comuns sobre o tema.
A deterioração é, basicamente, qualquer transformação física e química ocorrida após o processamento.
Consiste numa alteração da cor original ou no desvanecimento e na perda de contraste da imagem,…
Pode dar-se de várias formas e ter várias origens, como alterações de temperatura e humidade, formação de fungos, infestações de animais ou insectos, entre outros.
O acondicionamento inadequado pode igualmente potenciar a sua degradação.
Por essa razão, os materiais mais recomendados para a preservação de fotografias são os papéis livres de ácido.
Mas, o que significa isto…?
O ácido existente na maior parte dos papéis e tecidos provoca várias alterações nas fotografias, fragilizando-as com o tempo.
O papel fica manchado, envelhece e resseca, a imagem apaga-se progressivamente, a emulsão cola-se ou quebra…
O que é e como surgiu o papel livre de ácido
Em 1930, William Barrow concluiu que o papel em si e deteriorava com o tempo e que, sem o devido controlo do seu nível de acidez, o próprio contacto com a luz pode desgastar e afectar a composição do papel.
Assim, torna-se importante que o papel tenho uma composição química neutra (ou básica), com um pH igual ou ligeiramente superior a 7.0.
Foi o primeiro passo para a fabricação do papel livre de ácido .
O processo de fabrico do papel livre de ácido implica o tratamento com carbonato de cálcio (que se chama a reserva alcalina) que neutraliza os ácidos naturalmente criados pela celulose.
Deste modo, pode-se garantir que papéis com este tratamento mantem a sua alcalinidade por, pelo menos, 100 anos, beneficiando os processos de conservação das fotografias.
Contudo, se pretende conservar albuminas, processos cromogénicos ou de dye-transfer não é recomendável o papel com reserva alcalina, porque pode reagir com os compostos da fotografia.
Outro detalhe importante para a preservação de fotografias é procurar que o papel seja igualmente livre de lignina.
A lignina é um composto químico naturalmente presente na celulose, cuja oxidação acidifica e mancha o papel. É a principal responsável pelo aparecimento de manchas amareladas.
Como identificar o papel livre de ácido
Papel livre de ácido apresenta, geralmente, um certificado de qualidade onde pode ler as suas principais valências e testes aos quais foram sujeitados.
Em alguns casos, apresentam-se conformes normas como a ISO18902 e a ISO18916, mas não é crucial que sejam referidos.
O site do Image Permanence Institute (RIT) tem mais informações sobre os testes feitos a papéis fotográficos.
Pontos a ter em conta quando escolher o papel para acondicionamento de fotografias
Se está à procura de papel para acondicionar o seu arquivo ou álbum de fotografias, mantenha presente estes pontos básicos:
é importante que o papel tenha um pH neutro.
seja papel livre de ácido e de lignina.
pode ter ou não reserva alcalina (certifique-se que as suas fotografias estão seguras com a reserva).
e se é devidamente certificado de modo a garantir a sua qualidade, eficácia e durabilidade.
Estude as necessidades das suas fotografias e adeque os materiais às mesmas.
A fim de sistematizar os conceitos transmitidos neste artigo respondemos a algumas das questões mais frequentemente colocadas sobre a utilização do papel livre de ácido na conservação de fotografias.
Perguntas frequentes sobre papel livre de ácido na conservação de fotografias
O que significa “papel livre de ácido”?
Refere-se a um papel com pH neutro ou ligeiramente alcalino (geralmente entre 7 e 8,5), fabricado para evitar a presença de ácidos que aceleram a degradação dos materiais com os quais entra em contacto.
Por que é que o papel ácido é prejudicial às fotografias?
O papel ácido liberta compostos que provocam reações químicas nas fotografias, levando ao amarelecimento, descoloração e fragilidade do suporte.
O papel livre de ácido dura para sempre?
Não necessariamente. Embora seja muito mais estável, também pode degradar-se ao longo do tempo, especialmente em condições ambientais inadequadas (humidade, luz, poluição).
Qual a diferença entre papel livre de ácido e papel com reserva alcalina?
O papel com reserva alcalina contém substâncias (como carbonato de cálcio) que neutralizam ácidos ao longo do tempo, oferecendo proteção adicional, mas deve ser avaliada a sua vantagem caso a caso.
Posso usar qualquer papel “livre de ácido” para conservação?
Não. Para conservação de fotografias recomenda-se papel certificado para arquivo (archival quality), sem lignina, aprovado em testes realizados por entidades credíveis como o Image Permanence Institute e com a devida certificação.
Papel reciclado é adequado para conservação?
Nem sempre. Muitos papéis reciclados ainda contêm impurezas ou ácidos. Apenas os certificados como livres de ácido e sem lignina são recomendados.
Que tipos de produtos de conservação de fotografias usam papel livre de ácido?
Envelopes, caixas de arquivo, álbuns fotográficos, folhas intercaladoras, suportes de armazenamento e mesmo etiquetas.
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Licenciada em História da Arte (Faculdade de Letras da Universidade do Porto). O seu percurso profissional levou-a a trabalhar no Arquivo Histórico Municipal do Porto e no Museu do ISEP, na inventariação e conservação de colecções fotográficas. Deambulou pelo mundo dos antiquários e do turismo, até se tornar formadora/tutora profissional, dedicando-se às áreas da História da Arte, Iconografia e Conservação de Fotografia. Tem vários trabalhos escritos / publicados nas áreas da História da Arte, Iconografia e Conservação.