Hoje, vamos organizar as nossas fotos de família …

Há quanto tempo pensamos em organizar aquelas fotos de família que temos em caixas, gavetas e e envelopes? E quantas não estão já deterioradas por não terem o acondicionamento adequado?

Este é um trabalho que podemos desenvolver com as metodologias adequadas.

Pedimos assim alguns conselhos a Yolanda Silva, autora do curso online Conservação Preventiva de Fotografias.

Incluí um vídeo síntese e sugestão de ficha de registo e inventário.


Fotografia e memória

Cada fotografia tem gravado em si um fragmento de história.

Ela conta-nos pedaços da nossa vida ou da dos nossos familiares e amigos, e, em mais larga escala, relata momentos históricos e eventos sociais marcantes.

Como forma de garantir a permanência do seu testemunho podem ser aplicadas medidas de organização e preservação nos nossos arquivos de fotos de família .

Metodologia para organização e preservação de fotos de família

1. Levantamento das fotografias e/ou colecções

É a nossa primeira análise das provas, em que se inclui a inspecção e avaliação das fotos de família

Procedemos a:

  • Identificação individual (e em conjunto, quando necessário) das espécies,
  • Identificação de «problemas» existentes: inspecção das espécies uma a uma, isoladamente e recolha de informação daquelas mais degradadas (podemos também determinar neste momento quais são as fotografias de tratamento prioritário);

2. Inventário e Descrição

a) A informação relevante a recolher pode ser dividida em 4 partes:

  •  Informação de identificação geral:
    • identificação,
    • descrição,
    • datação
    • categorias em que se encontra inserida,
    • tipologia,
    • título atribuído
  •  Informação técnica:
    • matérias dos componentes (suporte, ligante, registo, suportes secundários, decoração),
    • dimensões e cores;
  •  Estado de conservação 
  • Observações gerais e detalhes (podemos incluir exposições em que tenha participado, bibliografia em que esteja presente, historial, marcas ou inscrições, etc.)

b) Procedimentos a adoptar no preenchimento dos campos de informação;

c) Registo impresso ou digital (ou ambos – mais aconselhável);

No quadro abaixo tem sugestões para criação de uma ficha de inventário que poderá adequar às suas fotos de família

Informação da Fotografia
Título atribuído (qual o título que vamos dar à fotografia)
Nº inventário (a que número corresponde no nosso inventário)
Proprietário (quem é que é o proprietário da fotografia)
Tipologia (que espécie fotográfica é?)
Localização (onde está armazenada? número de armário, caixa, álbum etc.)
Imagem digital* (qual o número de referência ou nome da imagem digital e onde está localizada)
Descrição da Fotografia
(descrição dos conteúdos da imagem, partindo o geral para o particular e identificando, sempre que possível, locais e sujeitos)
Informação Técnica
Material de suporte (identificação do suporte, por ex. papel, vidro,…)
Material de registo (identificação do material de registo, por ex. prata, corantes,…)
Material ligante (identificação do meio ligante, se existente, por ex. gelatina)
Cromatismo (monocromática: P/B, ou policromática?)
Dimensões (que tamanho tem? (geralmente em centímetros))
Outros suportes (possui suporte secundário? em que material é?)
Estado de Conservação
Estado de conservação/ Data de registo (muito bom, bom, médio,… sempre com data da avaliação, por ex. Estável – 21-08-2013)
Detalhes da Fotografia
Marcas ou inscrições (a fotografia tem outras marcas ou inscrições, como carimbos do autor, notas escritas, douramentos, etc.)
Exposições (participou em alguma exposição? qual?, onde?, quando?, etc.)
Bibliografia (está presente em alguma publicação? qual? especificar detalhes de autoria, editora e data de publicação)
Observações (outras observações a fazer acerca da fotografia)

3. Avaliação do tipo de armazenamento recomendável 

(mediante diferenças e necessidades intrínsecas) e da área destinada ao armazenamento/depósito:

a) Escolha de materiais de acondicionamento (envelopes, caixas, álbuns; produtos de conservação e limpeza afins, se necessário);

b) Escolha dos instrumentos de monitorização essenciais (e financeiramente sustentáveis)

c) Escolha do espaço a ocupar: prateleiras, armários, etc.;


Pode saber mais sobre materiais de acondicionamento no artigo Porquê papel livre de ácido no acondicionamento de fotografias?


 4. Programa de duplicação / digitalização

(em que se pode incluir aspectos relativos à exposição que pretendemos dar à fotografia ou duplicado respectivo);


Contamos consigo:

Nos comentários pode partilhar com todos os colegas sugestões de atividades interessantes para a conservação das nossas coleções particulares.

Obrigado!


Yolanda Silva

Yolanda Silva

Tem formação em História da Arte (Faculdade de Letras da Universidade do Porto). O seu percurso levou-a a trabalhar no Arquivo Histórico Municipal do Porto e no Museu do ISEP, no âmbito do inventário e conservação de coleções de Fotografia. Andou pelo mundo dos antiquários e pelo turismo, até que se tornou formadora, dedicando-se às áreas de História da Arte, Iconografia e Conservação de Fotografia. Trabalha atualmente no Departamento de Cultura da Câmara Municipal do Porto, no âmbito do Património. Tem diversos trabalhos escritos / publicados nas áreas da História da Arte, Iconografia e Conservação.

Da autora

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