Quais são as fontes de financiamento de um projeto cultural?

Quando pensamos em financiamento de um projeto cultural as primeiras ideias que surgem são os patrocínios e os apoios públicos.

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Mas existem outras fontes possíveis de financiamento. Cada vez mais, e muito por causa da facilidade de comunicação e criação de redes de interesse gerada pela internet, surgem novas formas de financiar de um projeto cultural ou social.

O objetivo deste artigo é sistematizar as diferentes formas de financiamento de projetos culturais e abrir um espaço de partilha de ideias e pistas para este financiamento.

Nos comentários pode falar das suas experiências e apontar novos caminhos.


Financiamento público de um projeto cultural

Origem

O financiamento público de de um projeto cultural pode ter várias origens:

Internacional

Trata-se de financiamentos por organismos internacionais. Realizam-se através de fundos que podem ser diretamente geridos e atribuídos por estes organismos ou através de Estados membros destas organizações ou entidades às quais é atribuída a sua gestão.

Por exemplo, fundos da UNESCO ou da União Europeia.

Têm regulamentos, legislação especifica e regras de atribuição apertadas. Normalmente as candidaturas têm timings e prazos e funcionam em Portal digital.

Nacional

Trata-se de financiamentos, incentivos ou isenções dados por um Estado aos projetos culturais.

São normalmente suportados por legislação especifica e inseridos em Planos de desenvolvimento da Cultura.

Têm regulamentos, legislação especifica e regras de atribuição apertadas. Normalmente as candidaturas têm timings e prazos rigorosos entre a publicação (editais) e a data limite de apresentação. Por regra as candidaturas funcionam em Portal digital.

Regional e Local

Trata-se de incentivos, financiamentos ou apoios dados por organismos de gestão local (Câmaras Municipais, delegações dos Ministérios da cultura ou outros).

Formas

Pode-se dizer que o financiamento público de um projeto cultural pode revestir a forma de financiamento, incentivo ou apoio.

Financiamento total do projeto cultural – o projeto pode ser financiado a 100%.

Financiamento parcial do projeto cultural – pode ser financiada uma parte do projeto, ficando o restante financiamento a cargo do promotor.

Incentivos – o apoio pode não ser traduzido em financiamento direto mas sim em incentivos.

Podem ser isenções ou reduções fiscais diretas ou deduções fiscais para os que apoiarem o projeto cultural .

Apoios diversos – os apoios a projetos culturais, sobretudo se falamos de apoios locais, podem revestir outras formas não monetárias. Cedência de espaços sem custo ou com custo reduzido, apoio logístico, divulgação, etc…

Apoios e patrocínios privados a projeto cultural

Cada vez mais as empresas desenvolvem ações de responsabilidade social. Estas podem traduzir-se em apoio a projetos culturais e sociais.

Podem revestir vários formatos: de financiamento direto duma parte do projeto cultural , de disponibilização de meios humanos, logísticos ou outros, de produção de meios necessários ao projeto nomeadamente suportes de divulgação físicos ou digitais. É ainda possível que algumas das necessidades do projeto sejam assumidas por privados como transportes, alojamentos ou refeições.

Estes apoios e patrocínios têm de ser divulgados nos meios de comunicação do projeto de acordo com o acordado com o patrocinador.

Receitas próprias

Um projeto cultural pode gerar receitas próprias muito variáveis dependendo da sua natureza e atividades que envolve. As mais frequentes são:

A venda de bilhetes ou ingressos, por exemplo em espetáculos ou eventos.

A venda de produtos, por exemplo em feiras ou eventos.

A cedência de espaços consignados, por exemplo em feiras ou mostras.

A venda de espaço de publicidade, por exemplo em programas, brochuras ou outros suportes de comunicação tanto físicos como digitais.

O marchandising do projeto. Isto é, a criação de produtos associados ao projeto cultural que façam a sua promoção. Estes podem ser vendidos gerando receitas.

A venda de catálogos, livros ou outros em formato físico ou digital.

O financiamento coletivo

Lembra-se de vender rifas para a festa da escola?

O princípio do financiamento coletivo é basicamente o mesmo. Muitos contribuem com pouco para o financiamento de algo em que acreditam ou querem ver realizado.

Trata-se, no final, de uma espécie de mecenato cultural coletivo.

Constitui atualmente uma das fontes de financiamento de muitos projetos culturais. A Internet e a possibilidade de criação de plataformas digitais muito tem contribuído para o sucesso desta forma de financiamento de projetos culturais.

Pode ver com mais detalhe em que consiste o sistema de financiamento coletivo ou crowfunding lendo o artigo dedicado a este tema.

A sua opinião e partilha:

Conhece outras fontes de financiamento de projetos culturais?

Pode partilhar aqui casos ou informações que considere úteis.

Muito Obrigado!

Fátima Muralha

Fátima Muralha

Licenciada em história, opcional história de arte. Pós graduação em gestão e valorização do património, especialização em gestão de projetos culturais. Vários cursos de especialização na área da valorização do património, gestão de projetos, museologia e formação profissional. Coordenação de vários projetos ligados ao património histórico e artístico. Autora de várias publicações e comunicações. Criação e coordenação do projeto Citaliarestauro.com.

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