No São Martinho vai à adega e prova o vinho! Mas quem foi São Martinho?

O dia 11 de novembro – dia de São Martinho – é tradicionalmente dia de festa, de comer castanhas e abrir o vinho novo em vários países da Europa. Mas o que tem São Martinho de Tours – 3º bispo de Tours e considerado como o grande evangelizador da Gália no sec. IV – a ver com estas festas populares?

São Martinho de Tours Tibães

São Martinho de Tours Mosteiro de Tibães, Braga. Portugal

Poderá talvez tratar-se apenas de uma coincidência de calendário uma vez que no perfil hagiográfico de São Martinho de Tours não se encontra uma relação direta com estas celebrações.

São Martinho de Tours terá nascido em 316 ou 336, morreu a 8 de novembro de 397 e foi enterrado a 11 de novembro, data de veneração que lhe foi atribuída no calendário cristão.

Provavelmente a festa de São Martinho associada ao vinho terá origem nas celebrações romanas dedicadas a Baco (Dionísio para os gregos) deus do vinho e das festividades. Como muitas outras, estas ancestrais festividades “colaram-se” ao calendário cristão associando-se à data litúrgica de determinado santo. São Martinho de Tours é o padroeiro de várias profissões entre as quais os produtores de vinhos.

Já no que diz respeito ao “verão de São Martinho” a relação com a lenda ou milagre de São Martinho de Tours é muito direta como veremos.

Porquê celebrar o vinho?

O vinho é atualmente para muitos países, incluindo Portugal, um importante recurso económico. A vinha e a produção de vinho requerem metodologias e conhecimentos altamente especializados. A degustação do vinho constitui um ato social associado a sofisticação e elegância.

Mas a história do vinho, e do ato de beber vinho enquanto ato cultural, é muito mais antiga. No Antigo Egito o vinho era bebido em rituais e celebrações como testemunham pinturas nas paredes dos túmulos. Também foram encontradas ânforas com vinho no famoso túmulo de Tutankamon.

Túmulo de Nakht, c. 1390 a.C., Tebas, Egito

 

Na Grécia e Roma antiga o vinho fazia parte de festas e celebrações tendo associados os deuses Dionísio e Baco, respetivamente, e o cultivo da vinha constituiu uma importante atividade económica em muitos pontos do império romano.

O cristianismo reforçou a importância do vinho no ato da comunhão e as ordens religiosas tiveram um papel de relevo na expansão do cultivo da vinha.

Temos assim uma associação desta bebida, pelo menos desde a Antiguidade, a celebrações, festividades e rituais sagrados. A festa do “vinho novo” no São Martinho vem na sequência desta longa história.

São Martinho de Tours

São Martinho de Tours

São Martinho renuncia ao exército, fresco de Simone Martini

Voltando a São Martinho de Tours. Nasceu em 316, 3 anos depois de o Imperador Constantino ter promulgado o Édito de Milão que permitiu liberdade de culto aos cristãos. Viveu assim numa época de grandes transformações culturais e religiosas.

Era filho de um comandante do exército romano mas converteu-se ao cristianismo sendo batizado aos 22 anos. Serviu o exército romano que abandonou para se dedicar à vida monástica e à evangelização. Foi discípulo de Santo Hilário de Poitiers e contemporâneo de Santo Agostinho de Hipona, dois doutores da igreja. Tornou-se no terceiro bispo de Tours em 371. Morreu em 397.

São Martinho de Tours teve um importante papel na expansão do cristianismo na Gália através das suas ações evangelizadoras e da fundação de vários mosteiros e igrejas.

O verão de São Martinho

Aquilo a que chamamos o verão de São Martinho tem, por sua vez, uma relação direta com o santo e com a sua lenda ou milagre.

Enquanto era soldado romano, Martinho seguia a cavalo num dia de tempestade. Encontrou um mendigo cheio de frio e cortou com a espada o seu manto ao meio dando metade ao mendigo. Mais adiante encontrou outro mendigo e deu-lhe a restante metade do manto seguindo ao frio e ao vento. Repentinamente surgiu o milagre: o céu abriu-se, a tempestade desapareceu e o sol aqueceu a terra tendo o bom tempo permanecido por três dias.

E ao que parece continuamos a beneficiar do resultado das ações caridosas deste santo quase 1700 anos depois.

A lenda de São Martinho de Tours tem sido representada ao longo da história da arte e os atributos do santo estão a ela ligados como nesta pintura de El Greco, c. 1577-1579.

São Martinho e o mendigo, El Greco

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