Jacobus de Voragine | porque a Legenda Aurea é importante na análise iconográfica?

A Legenda Aurea de Jacobus de Voragine foi um dos livros mais populares na Idade Média. Apesar de ter sido considerada historicamente questionável a Legenda Aurea é uma das fontes mais importantes para a análise da iconografia cristã e para a análise de obras de arte.


 

Jacobus de Voragine

Jacobus de Voragine nasceu em Varazze, perto de Génova (região da Ligúria), cerca dos anos 1226-30. Em 1244, ingressou num convento dominicano. Reconhecido por toda a região Norte da Itália, assumiu diversos cargos importantes, que culminam na sua nomeação para o arcebispado de Génova, em 1292, posição que manteve até à sua morte, em 1298.

Teve um papel importante no processo de pacificação entre os Guelfos e os Gibelinos, que lhe rendeu a beatificação em 1816, pelo Papa Pio VII.

As obras de Jacobus de Voragine | A Legenda Aurea

Ao longo da sua vida religiosa, escreveu diversos sermões e reflexões sobre os Santos e a Virgem. Foi autor da Crónica de Génova e, já na fase final da sua vida, da Legenda Aurea (também conhecida por Lombardica Historia). Esta última trata-se de uma compilação de histórias das vidas dos santos e mártires, de episódios das vidas de Jesus e da Virgem e informação diversa concerne os dias santos conforme o ano litúrgico.

Para além destes aspetos a Legenda Aurea reveste-se de uma originalidade que vem de pensar o tempo, essa grande questão de todas as civilizações e religiões.  Leia mais sobre este aspeto.

Jacobus de Voragine legenda aurea

Jacobus de Voragine com a Legenda Aurea em suas mãos. Ottaviano Nelli. Palácio Trinci. Foligno, Itália

 

O livro tornou-se imensamente popular na era medieval e foi traduzido em diversas línguas, por toda a Europa. Uma das primeiras traduções foi feita para a língua inglesa, por William Caxton, em 1483.

Pode consultar ou descarregar exemplares das obras de Jacobus de Voragine na Biblioteca Nacional de Portugal.

A Legenda Aurea de Jacobus de Voragine na arte

Gradualmente aumentado ao longo dos anos, servia também de base para diversos artistas medievais, que viam nas descrições dos episódios a inspiração para as suas ilustrações e obras de arte. O livro perdeu popularidade na época da Reforma Protestante. Foi considerada como inaceitável a perspectiva pouco historicista das narrações e este foi tido como obsoleto.

Legenda aurea paginas

 

De facto, o livro trata-se sobretudo de uma leitura sobre os pontos importantes e inspiradores que servem de base ao ideal Cristão e Católico. A palavra latina legenda, traduz-se em leitura, no sentido de algo que deve ser lido. Assim, e como explica o historiador alemão Heinrich Gunter, a Legenda inclui factos que são historicamente genuínos, mas de par com uma narrativa cuja função se resume à comemoração dos nomes santos, num sentido pedagógico.

A Legenda Aurea de Jacobus de Voragine como fonte iconográfica

Apesar de ter sido considerada historicamente questionável, a leitura dos episódios das vidas dos santos continuou a servir de base aos artistas, que não dispensavam as narrações nas suas ilustrações e na criação de grandes obras de arte.

No âmbito da Iconografia e estudos relacionados com Iconografia Cristã, a Legenda Aurea de Jacobus de Voragine não pode ser ignorada como uma das fontes mais importantes.


Programa do Curso iconografia dos Santos

1 – Introdução à Iconografia
  • Conceitos iniciais: Ícone, Iconografia e Iconologia
  • A evolução e definição da Iconografia como corrente do saber
  • O método de Panofsky
2 – Iconografia Cristã
  • Arte e Cristianismo – a imagem como veículo da mensagem
  • Fontes escritas e gráficas
  • Os primeiros símbolos do Cristianismo
3 –  Iconografia dos Santos
  • Santos e Mártires: aspectos gerais
  • A Indumentária do Clero Católico
  • Principais Santos: símbolos e atributos.

A sua opinião.

Qual a importância da análise iconográfica e simbólica no estudo e leitura de obras de arte?

Yolanda Silva

Yolanda Silva

Tem formação em História da Arte (Faculdade de Letras da Universidade do Porto). O seu percurso levou-a a trabalhar no Arquivo Histórico Municipal do Porto e no Museu do ISEP, no âmbito do inventário e conservação de coleções de Fotografia. Andou pelo mundo dos antiquários e pelo turismo, até que se tornou formadora, dedicando-se às áreas de História da Arte, Iconografia e Conservação de Fotografia. Trabalha atualmente no Departamento de Cultura da Câmara Municipal do Porto, no âmbito do Património. Tem diversos trabalhos escritos / publicados nas áreas da História da Arte, Iconografia e Conservação.

Aprenda mais sobre iconografia

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