epigrafia romana | 5 etapas na análise prática de uma inscrição

A epigrafia romana –  na Antiguidade Clássica, os romanos insculpiram mensagens em materiais duros para que resistissem à passagem do tempo. 

A epigrafia romana ou epigrafia latina trata da decifração destas mensagens revelando-as como fontes históricas de grande importância para o conhecimento da civilização romana.

Vamos ver um exemplo prático de análise de uma inscrição.

epigrafia romana | análise do suporte

  • A análise de uma inscrição começa, sempre que possível, pela identificação do suporte, que pode, por vezes, auxiliar na perceção da mensagem.
  • Neste caso, a inscrição encontra-se realizada numa cupa, monumento funerário típico de determinadas regiões do Império, como é o caso da Península Ibérica.
  • A leitura e interpretação da mensagem confirmará a natureza funerária desta inscrição.

epigrafia romana

epigrafia romana | transcrição do epigrama

Olhando atentamente para a inscrição , percebemos que as palavras estão separadas por pontuação, aspeto que simplifica a primeira tarefa a desempenhar: transcrever o epigrama.

epigrafia romana 2

Com as palavras já separadas, podemos começar a transcrever o texto inscrito. A transcrição pode, durante o processo, respeitar a estrutura da inscrição ou, em alternativa, ser realizada em linha, o que, nas tarefas seguintes será útil para a interpretação.

D  · M · S

AVRELIO · RVFINO

ANN · XVII

AVRELIVS · MVSAEVS

FILIO · PIISSIMO · F · C

D · M · S / AVRELIO · RVFINO / ANN · XVII / AVRELIVS · MVSAEVS / FILIO · PIISSIMO · F · C

A fórmula inicial – D M S – e a indicação de idade permitem-nos confirmar que se trata de um epitáfio ou inscrição funerária.

Epigrafia Latina Análise de uma epígrafe


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epigrafia romana | as abreviaturas

Pela tipologia da inscrição, as inicias F · C referem-se ao ato de encomenda do monumento fúnebre, devendo desdobrar-se F(aciendum) C(uravit).

D(is) · M(anibus) · S(acrum)

AVRELIO · RVFINO

ANN(orum) · XVII

AVRELIVS · MVSAEVS

FILIO · PIISSIMO · F(aciendum) · C(uravit)

epigrafia romana | quem desempenha que papel

A declinação das palavras vai permitir-nos identificar quem desempenha que papel no texto.

Epigrafia Latina Análise de uma epígrafe 2

epigrafia romana | decifração da inscrição

  • Cupa funerária, descoberta em 1773, no Terreiro do Castelo (Coimbra), atualmente exposta no Museu Nacional Machado Castro.
  • Dimensões: 75 x 30 x 54
  • Epitáfio datável de finais do século I d.C. até à primeira metade do século II d.C.
  • Em termos paleográficos, a inscrição ostenta uma paginação cuidada, centrada, havendo a referir que, na última linha, em PIISSIMO, o primeiro I se destaca por apresentar uma altura mais baixa que as demais letras.

Pode ver todos os passos da análise desta inscrição no video seguinte:


Introdução à epigrafia latina

Este curso destina-se a pessoas que pretendam aprofundar ou iniciar a aquisição de conhecimentos que lhes permitam decifrar uma epigrafe.

Patricia Machado

Patrícia Machado

Licenciada em Arqueologia Exerceu funções enquanto arqueóloga em diversos trabalhos arqueológicos na região Norte de Portugal. Possui Certificado de Competências Pedagógicas desde 2016. Coordenadora do Centro Interpretativo de Tresminas e responsável pela dinamização do Complexo Mineiro Romano de Tresminas. Colabora com o Município de Vila Pouca de Aguiar no desenvolvimento da Candidatura do Complexo Mineiro Romano de Tresminas a Património da Humanidade.

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