Quais as representações da Via Crucis

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Uma das formas de representação de Jesus na arte é a Via Crucis (por vezes, também chamada Via Sacra, Via Dolorosa, ou os Passos da Paixão).

Trata-se de um ciclo na vida de Jesus e é uma das mais marcantes devoções do Cristianismo, que diz respeito ao caminho para o Calvário, depois de ter sido condenado.

Normalmente a última estação destas representações da Via Crucis – a 14ª – representa o sepultamento de Jesus.

Esta narrativa espiritual foi sendo representada ao longo dos séculos através de diferentes formas artísticas — pintura, escultura, azulejaria, teatro religioso e até instalações contemporâneas. Cada estação traduz não só um momento bíblico, mas também uma interpretação cultural e estética própria de cada época, tornando a Via Crucis um tema central na história da arte sacra e da devoção popular.

Neste artigo, vamos analisar cada uma das estações da Via Crucis  e o seu significado ao longo do percurso da Paixão de Jesus Cristo.


Ao longo da história, estas representações ganharam múltiplos significados — tema que aprofundamos no curso Iconografia de Jesus e Maria na Arte.


Sepultamento de Jesus. Séc. XVI. Escultura na Igreja de Notre-Dame de Joinville Sepultamento de Jesus. Séc. XVI. Escultura na Igreja de Notre-Dame de Joinville, Haute-Marne, França.


Via Crucis e Representação de Nosso Senhor dos Passos

Neste caso, Jesus é invocado como Nosso Senhor dos Passos (tendo esta sua representação uma iconografia específica).

É ainda uma veneração muito popular, que tem a sua expressão máxima nas procissões realizadas na Sexta-feira Santa (Procissão dos Passos ou Procissão do Encontro).

Aleijadinho senhor dos passos

Detalhe do Cristo carregando a Cruz, na Via Sacra de Congonhas.

 

A imagem acima é de uma obra de "O Aleijadinho" (Antônio Francisco Lisboa), o brilhante escultor que melhor representou a estética barroca no Brasil.

As procissões de Nosso Senhor dos Passos

Podemos encontrar representações artísticas da Via Crucis em vários locais devocionais:

  • Pintura religiosa em Igrejas e Capelas, sendo a mais frequente representação a das 4 estações ao longo das paredes laterais
  • Escultura em relevo ou tridimensional
  • Azulejos (muito comuns em Portugal)
  • Ao longo das ruas com imaginária religiosa em pequenas capelas (como por exemplo em Guimarães) ou em escadarias (como por exemplo no Santuário do Bom Jesus em Braga)
  • Encenações teatrais ao vivo (especialmente na Semana Santa)

A Via Crucis e as procissões de Nosso Senhor dos Passos partilham uma mesma matriz espiritual dentro do Cristianismo: ambas evocam o percurso de sofrimento de Jesus Cristo até ao Calvário.

As procissões de Nosso Senhor dos Passos, muito presentes na Semana Santa em países como Portugal e Espanha, traduzem esse mesmo percurso num evento dinâmico, em que imagens escultóricas percorrem as ruas, recriando os momentos mais marcantes da caminhada de Cristo.

As procissões ocupam a cidade, transformando o espaço urbano em cenário sagrado mas igualmente em espaço comunitário envolvendo as entidades religiosas locais, as confrarias e irmandades e toda a comunidade local desde a preparação até à realização dos eventos da Semana Santa.

Procissão do Senhor dos Passos da Graç em Lisoa, Portugal

Procissão do Senhor dos Passos da Graça


A Via crucis

A Via Crucis é, na sua essência, composta por uma série de representações (normalmente escultóricas ou em relevo) dos diversos iconografia menino jesus momentos do caminho até ao Calvário por que Jesus passou.

A estes momentos chamam-se Estações e foi estabelecido, no século XVI, o número de quatorze (antes variavam entre sete e mais de trinta Estações).

Em algumas representações surge uma décima quinta Estação, que é a da Ressurreição de Jesus.

As Estações podem ser representadas simplesmente por cruzes, dispostas ao longo das paredes laterais da nave, e distanciadas umas das outras por curtos espaços.

Geralmente, as igrejas têm pequenas placas relevadas, com a representação de cada momento do caminho.

Conforme mencionado anteriormente algumas cidades têm mesmo pequenas capelas ou nichos ao longo da área urbana central (geralmente, a mais antiga), cada uma representando uma das Estações.

Esta tendência para a construção de capelas ao longo da cidade por onde a procissão haveria de passar, foi uma tendência barroca.

A tradição de fazer esta peregrinação pela Via Crucis surgiu com São Francisco de Assis, que o praticava no período da Quaresma, como forma de honrar a Paixão de Cristo.

Desde a época medieval que se tornou parte da tradição católica.


Tipicamente, as Estações da Via Crucis são as seguintes

 

1ª estação

A condenação de Jesus
via crucis 1ª estação

2ª estação

Jesus carrega a cruz
via crucis 2ª estação

3ª estação

Primeira queda de Jesus
via crucis 3ª estação

4ª estação

Jesus encontra a Mãe
via crucis 4ª estação

5ª estação

Simão Cireneu ajuda Jesus a carregar a cruz
via crucis 5ª estação

6ª estação

Verónica limpa o rosto de Jesus
via crucis 6ª estação

7ª estação

Segunda queda de Jesus
via crucis 7ª estação

8ª estação

Jesus encontra as mulheres de Jerusalém
via crucis 8ª estação

9ª estação

Terceira queda de Jesus
via crucis 9ª estação

10ª estação

Jesus despojado das suas vestes
via crucis 10ª estação

11ª estação

Crucificação: Jesus a ser pregado na cruz
via crucis 11ª estação

12ª estação

Jesus morre na cruz
via crucis 12ª estação

13ª estação

Deposição ou Lamentação
via crucis 13ª estação

14ª estação

O Enterro de Jesus
via crucis 14ª estação

Para aprofundar este tema, reunimos algumas das perguntas mais frequentes sobre a Via Crucis e o seu significado no contexto do Cristianismo.

FAQ – Perguntas frequentes


Qual o significado simbólico da Via Crucis?
A Via Crucis simboliza o caminho de sofrimento e sacrifício de Jesus, sendo interpretada como uma metáfora da jornada humana, marcada por desafios, quedas e superação.

As procissões do Senhor dos Passos continuam a ser frequentes?
São não só frequentes como tendem a ser valorizadas e apoiadas por municípios e entidades ligadas à área cultural pois são consideradas um importante Património Cultural Imaterial.

Porque é que a Via Crucis continua relevante hoje?
Por razões religiosas e espirituais mas igualmente porque são uma fonte de inspiração artística, uma base para a  educação patrimonial e um importante ativo ao atrair turismo cultural e religioso.

Qual é a diferença entre Via Crucis e Senhor dos Passos?
A Via Crucis é uma prática devocional estruturada em estações fixas para meditação. As procissões de Senhor dos Passos são eventos públicos e participativos que encenam estas mesmas estações.

Quais os locais em que a Via Crucis tem mais importância?
Em primeiro lugar nos locais ligados geograficamente aos últimos passos de Jesus Cristo como a Via Dolorosa que termina no Santo Sepulcro; no Vaticano, em Roma, onde a procissão presidida pelo Papa é uma das mais importantes celebrações católicas; mas em todo o mundo cristão existem locais de culto ligados à Via Sacra e à paixão de Cristo.

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