Reino de Kush | a grandeza da antiguidade africana

Neste artigo conheça o Reino de Kush . Na região da Nubia – atual Sudão – o Reino de Kush foi o criador de três das grandes cidades da antiguidade Africana: Kerma, Napata e Meroé.

O Templo Deffufa na cidade de Kerma, Reino de Kush, 3,000 AEC, Sudão
Fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Western_Deffufa_-_Kerma.jpg


Texto: Manuela Tenreiro, curso online Arte Africana.

Imagem de capa: O Templo Deffufa na cidade de Kerma, Reino de Kush, 3,000 AEC, Sudão. 

Fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Western_Deffufa_-_Kerma.jpg


Reino de Kush Menore

Pirâmides de Meroé, Sudão.
Fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:NubianMeroePyramids30sep2005(2).jpg

O Reino de Kush

Subindo o Nilo, rumo a Sul, para lá da terceira catarata, abre-se odeserto da Núbia no atual Sudão. A região apresenta vestígios de povoações que datam de 6,000 anos atrás. Também aqui a agricultura se desenvolveu, assim como atividades ligadas à mineração de metais preciosos e à metalurgia de ferro. Eram os grandes fornecedores de ouro ao Egito, tendo sido encontradas enormes pedras de moagem em campos de processamento de metais preciosos, datados do segundo milénio AEC. A sua posição estratégica no Rio Nilo com acesso à África subsaariana e oriental garantiu-lhe o lugar de intermediário comercial entre a África a sul e leste e o Egito, o que obviamente, suscitou a cobiça do vizinho a norte. O Reino de Kush foi o criador de três das grandes cidades da antiguidade Africana: Kerma, Napata e Meroé.

A cidade de Kerma

Reino de Kush Kerma

O Templo Deffufa na cidade de Kerma, Reino de Kush, 3,000 AEC, Sudão
Fonte: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Western_Deffufa_-_Kerma.jpg

 

A arquitetura de Kerma revela uma cidade fortificada, socialmente estratificada e de grandes dimensões – calcula-se que teria uns 10,000 habitantes em cerca de 2,500 a.c. Rodeada por uma imponente muralha com 10 metros, continha construções em tijolos de adobe, com casas em formato circular ou retangular que incluíam pátios e jardins e variavam de tamanho indicando diferentes condições sociais. A sua aproximação do centro da cidade era também um indicador de posição social, já que era aí que se encontravam monumentos, sepulturas, e o mais imponente edifício, a Deffufa, uma construção circular com teto cónico cuja função se desconhece mas que se pensa ter importância política ou religiosa.

A riqueza de Kerma e sua posição estratégica levaria a uma guerra com o Egito, da qual este saiu vitorioso em cerca 1500 AEC. Mas mais a sul desse território, a cultura Kush sobreviveria e continuaria a resistir a partir de Napata e Meroé.

Uma das primeiras ‘guerras santas’ da história da humanidade

Os Egípcios gradualmente levaram a sua cultura e os seus deuses para Kerma, e em poucos séculos a população assimilada não só tinha incorporado e aceitado a espiritualidade Egípcia, como centrava a sua vida religiosa em peregrinações ao Templo de Amu na montanha de Jebel Barkal, considerada a fronteira sul do Reino do Egito. Os Núbios chegaram mesmo a crer que eles eram melhores fiéis do que o próprio Egito, pelo que que o rei Núbio Piye invadiu o Egito a norte e em cerca de 750 AEC tomou o poder, numa das primeiras ‘guerras santas’ da história da humanidade.

Tinha começado a 25ª dinastia do Egito, a era dos Faraós negros, como dizem alguns historiadores.


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